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Damares promete “salinhas cor-de-rosa” em delegacias de todo país

Raphael Di Cunto e Fabio Murakawa

“Todas as delegacias do Brasil também serão delegacias da mulher”, defendeu a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, afirmou nesta segunda-feira que transformará todas as delegacias do país em delegacias da mulher para suprir a falta de espaços dedicados a esse tipo de denúncia.

“A partir de janeiro, todas as delegacias do Brasil também serão delegacias da mulher. Pronto”, discursou em ato de enfrentamento à violência contra a mulher realizado no Palácio do Planalto, ao lado do presidente Jair Bolsonaro.

“Sairemos de 19% [dos municípios com órgão de combate à violência contra a mulher] para 100%. Isso é compromisso com a mulher brasileira, isso é enfrentamento”, disse Damares.

Segundo ela, isso será feito com o treinamento de policiais: “Vamos capacitar todos os agentes de delegacias do Brasil, todos os delegados. Nem que seja uma salinha pitititica, pequenininha, todas as salinhas estarão capacitadas para defender mulheres. Detalhe, vou pintar as salinhas de cor-de-rosa. Yes [sim]!”

Marcelo Camargo/Agência Brasil

A ministra também prometeu dois navios cor-de-rosa para proteger a população ribeirinha e o treinamento de médicos e conselheiros tutelares. Outra ação defendida por ela é a criação de uma procuradoria da mulher em cada Câmara Municipal do Brasil para denunciar casos de violência.

Para ela, o governo Bolsonaro é o que mais tem feito pelas mulheres, apesar das acusações de machismo.

Para rebater a crítica de que apenas dois dos 22 ministro são mulheres – ela e a ministra da Ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina –, citou mulheres no segundo escalão do governo.

Damares ainda leu um conjunto de leis de autoria do Congresso sancionadas pelo presidente, como cobrar dos agressores os gastos do Sistema Único de Saúde (SUS) com o atendimento de mulheres vítimas de violência.

“Este é governo que tem olhar diferenciado para a mulher. Mas não quer apenas dar oportunidade e trabalhar pela igualdade de sexos no mercado de trabalho. Vamos tratar também da violência contra a mulher”, afirmou.

Sem acordo, cronograma ou orçamento

Após o evento no Planalto, a ministra afirmou que ainda não há acordo com os governos estaduais nem cronograma para o programa de treinamento de policiais voltados ao atendimento de mulheres violentadas em delegacias comuns.

Damares prometeu que não haverá fechamento das delegacias da mulher e que o programa é provisório, até a construção de novas unidades.

Reconhecendo que as mulheres preferem ser atendidas por policiais do sexo feminino, ela disse que trabalhará num remanejamento dos policiais nessas delegacias. A responsabilidade pela gestão, contudo, é dos governos estaduais.

“Vamos procurar, num primeiro momento, que o governo federal atue em todo o treinamento, mas claro, haverá um momento em que será preciso trazer o Estado e os municípios”, disse. A ministra também não soube precisar quanto custará o treinamento dos policiais.

A ministra afirmou que o programa chegará “aos rincões do país” e começará em janeiro, mas evitou falar num cronograma. “Não tem prazo, mas vamos procurar fazer no menor prazo possível de tempo”, disse.

Entrevista em silêncio

Mais cedo, Damares convocou jornalistas para uma entrevista antes do evento. Após meia hora de atraso, porém, ela se posicionou em frente aos microfones e ouviu algumas perguntas em silêncio. Segundos depois, fez menção de falar, mas fingiu conter o choro e deu as costas aos repórteres.

Após a cerimônia, ela disse que manteve o silêncio para divulgar “o quanto é difícil para as mulheres não terem voz” – referência aos atos de violência e o medo de mulheres denunciarem seus agressores. A encenação foi divulgada na página da ministra no Twitter, antes de qualquer explicação.

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