Dados ruins no exterior e ata do Fed fazem dólar subir

Os fatores externos pesaram mais que os internos no mercado de câmbio nesta quarta-feira, o que fez o dólar à vista fechar em alta de 0,46% no balcão, cotado a R$ 1,9640. A busca por ativos de menor risco, como o dólar, em função de indicadores econômicos ruins divulgados nos Estados Unidos, foi intensificada à tarde pela ata da última reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), que traz ponderações sobre os riscos da atual política monetária norte-americana.

Após a ata do Fed, que saiu às 16 horas, o dólar chegou a marcar R$ 1,9670 na máxima do dia, em alta de 0,61%. Na mínima, vista pela manhã, atingiu R$ 1,9540, em queda de 0,05%. Da mínima para a máxima, a moeda oscilou +0,67%. Perto das 17 horas, a clearing de câmbio da BM&F registrava giro financeiro à vista de US$ 3,446 bilhões. O dólar pronto da BM&F fechou a R$ 1,9600 (+0,20%), com apenas 10 negócios.

Pela manhã, indicadores como o de construção de moradias iniciadas nos EUA em janeiro, que caiu 8,5% ante dezembro, mais que o esperado, elevaram a procura por ativos menos arriscados. No Brasil, por outro lado, os investidores com posições vendidas no mercado futuro (bancos e não residentes) trabalharam para segurar o avanço do dólar ante o real no mercado à vista. A atuação destes agentes fez com que a taxa Ptax fechasse, no início da tarde, em queda de 0,14%, cotada a R$ 1,9570.

Livre das disputas pela Ptax, o dólar conseguiu engatar uma alta mais consistente à tarde, em um movimento que foi intensificado pela divulgação da ata do Fed. No documento, alguns diretores mostraram a preocupação de que a política monetária frouxa dos EUA possa levar à instabilidade nos mercados financeiros. "Vários participantes declararam que a avaliação em andamento sobre a eficácia, os custos e os riscos das compras de ativos podem muito bem levar o comitê a reduzir ou encerrar suas compras antes de julgar que uma melhora substancial na perspectiva para o mercado de mão de obra aconteceu", descreveu o relatório.

A possibilidade do fim de compras de ativos fez, na prática, os investidores ampliarem a busca por dólares. O euro atingiu a mínima da sessão após a divulgação do documento, sendo cotado a US$ 1,3279, ante US$ 1,3388 do fim da tarde da véspera. Em relação a outras divisas com elevada correlação com commodities, a divisa norte-americana também avançou.

A pressão de alta, motivada pelo exterior, foi favorecida ainda pelos números do fluxo cambial. O fluxo foi negativo em US$ 817 milhões em fevereiro até o dia 15. No segmento financeiro, que inclui investimentos estrangeiros e remessas de lucros, entre outras operações, o saldo ficou negativo em US$ 163 milhões no período. O número é a diferença entre a entrada de US$ 11,981 bilhões e a saída de US$ 12,144 bilhões. As operações comerciais tiveram uma saída líquida de US$ 654 milhões no mês. As exportações somaram US$ 6,594 bilhões e as importações, US$ 7,248 bilhões. "O fluxo cambial veio negativo, principalmente no segmento comercial. Este é um fator que colabora para a alta do dólar", comentou Maurício Nakahodo, consultor de pesquisas econômicas do Banco de Tokyo-Mitsubishi UFJ.

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