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Dados do Hubble mostram vapor d'água persistente em apenas um lado da lua Europa

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Graças aos dados do Telescópio Espacial Hubble, da NASA, astrônomos conseguiram detectar, pela primeira vez, a presença de vapor d’água persistente na tênue atmosfera de Europa, uma das 79 luas de Júpiter. Com uma temperatura média de -170 °C em sua superfície, a causa da distribuição irregular do vapor neste pequeno mundo congelado permanece um mistério.

Há muito tempo os astrônomos suspeitam de que Europa possua uma vasto oceano abaixo de sua superfície, por isso a lua é apontada como um lugar potencialmente hospedeiro à vida como a conhecemos. A compreensão sobre a atmosfera dessa e de outras luas de Júpiter é essencial para o planejamento de futuras missões exploratórias do sistema de Júpiter. Agora, pela primeira vez, um estudo conduzido pela KTH Royal Institute of Technology apresenta evidências de vapor de água na atmosfera dessa lua.

(Imagem: Reprodução/Goddard Space Flight Center/NASA/Paul Morris)
(Imagem: Reprodução/Goddard Space Flight Center/NASA/Paul Morris)

Observações anteriores indicaram a presença de vapor d’água em Europa, mas foram associadas a plumas de erupção em gelo, registradas pelo Hubble em 2013 — estruturas bem parecidas com os gêiseres da Terra, capazes de lançar o material até 100 km acima da superfície. No entanto, a nova análise aponta quantidades semelhantes de vapor em uma área bem maior, de acordo com observações do telescópio espacial que vão de 1999 a 2015.

Tais informações sugerem uma presença prolongada de vapor d’água apenas no hemisfério posterior de Europa. A razão dessa distribuição disforme ainda é um mistério. Para chegar a esta descoberta, a astrônoma Lorenz Roth, da KTH Royal Institute of Technology e principal autora do estudo, realizou uma nova análise de imagens e espectros dos arquivos do Hubble.

(Imagem: Reprodução/Goddard Space Flight Center/NASA/Paul Morris)
(Imagem: Reprodução/Goddard Space Flight Center/NASA/Paul Morris)

Segundo Roth, a detecção de vapor d’água tanto em Europa quanto em Ganímedes, outra lua de Júpiter, aumenta a compreensão sobre a atmosfera em luas geladas. Acontece que, em Europa, a descoberta é surpreendente porque lá a temperatura média é bem mais baixa em relação à Ganímedes. As novas observações indicam que o gelo de água está sublimando, ou seja, passado do estado sólido diretamente para o gasoso.

A astrônoma analisou um conjunto de dados do Hubble, selecionado observações ultravioleta de Europa de 1999, 2012, 2014 e 2015 — com a lua em diversas posições — a partir do Espectrógrafo de Imagens do Telescópio Espacial Hubble (STIS). Então, Roth pôde determinar a abundância de oxigênio, um dos constituintes da água, na atmosfera da lua e, a partir da intensidade da emissão em diferentes comprimentos de onda, ela inferiu a presença de vapor.

Concepção artística da missão Europa Clipper, da NASA, prevista para ser lançada em 2023 (Imagem: Reprodução/NASA)
Concepção artística da missão Europa Clipper, da NASA, prevista para ser lançada em 2023 (Imagem: Reprodução/NASA)

A descoberta será fundamental para as missões que vão explorar o sistema de luas de Júpiter, como a Europa Clipper da NASA e a Jupiter Icy Moons Explorer (JUICE), da Agência Espacial Europeia (ESA). A missão JUICE está prevista para ser lançada em 2022, chegando ao gigante gasoso por volta de 2031. Ali, a sonda estudará Ganímedes, Calisto e Europa — as três maiores luas do sistema.

A descoberta foi publicada na revista Geophysical Research Letters.

Fonte: Canaltech

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