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Dados de gigantes tech são próximo alvo de presidente da China

Bloomberg News
·3 minuto de leitura

(Bloomberg) -- Enquanto o presidente da China, Xi Jinping, mira os gigantes de tecnologia do país, a grande questão agora é como vai conseguir que compartilhem dados importantes como parte do plano para transformar a segunda maior economia do mundo.

Até recentemente, grandes empresas da China, como o Alibaba, de Jack Ma, e Tencent, operavam de maneira semelhante às gigantes dos EUA Facebook e Alphabet, aproveitando dados de usuários para refinar uma variedade em expansão de serviços digitais. Como mais dados levam a produtos melhores, plataformas de tecnologia muitas vezes naturalmente se tornam monopólios, o que proporciona enorme riqueza e poder que também abrem caminho para abusos.

Um número cada vez maior de parlamentares dos EUA começa a exigir leis para desmembrar empresas americanas, mas, por enquanto, esses esforços não conseguiram ganhar muita força. A Europa tem se concentrado principalmente em dar aos usuários mais controle sobre os dados e cobrar pesadas multas antitruste contra empresas como o Google.

A China, por outro lado, tem ido mais longe do que qualquer outro país para controlar seus gigantes da tecnologia. Xi declarou no mês passado a intenção de impor limites a empresas de “plataforma” que acumulam dados para criar monopólios e engolir concorrentes menores. Reguladores da China então aplicaram uma multa recorde de US$ 2,8 bilhões ao Alibaba por abuso de domínio de mercado e estabeleceu o prazo de um mês para que dezenas de outras companhias importantes da Internet retifiquem práticas anticompetitivas.

Embora parte da motivação seja política, um aspecto potencialmente mais importante é a tentativa da China de criar um mercado para dados que libere valor e impulsione o crescimento. O governo está despejando recursos em infraestrutura digital, elaborando novas leis sobre o uso de dados e construindo centros de dados em todo o país com o objetivo de posicionar a China como líder na transformação da economia mundial nas próximas décadas.

“Esta não é uma iniciativa de curto prazo - é um completo novo foco nacional em dados como fator econômico”, disse Kendra Schaefer, chefe de pesquisa digital da Trivium China, uma consultoria em Pequim. “Com essas vantagens significativas, também olhamos potencialmente para um cenário em que as empresas estão mais dispostas a se adaptar aos controles de rede chineses para obter acesso ao mercado.”

A economia digital da China cresceu muito mais rápido do que o PIB nacional em 2019, destacando sua importância para o crescimento futuro, de acordo com a Academia Chinesa de Tecnologia da Informação e Comunicação. A empresa de pesquisa de mercado IDC projeta que a China pode responder por cerca de um terço dos dados mundiais em 2025, ou aproximadamente 48,6 zetabytes - cerca de 60% a mais do que os EUA, ou o equivalente a mais de 10 trilhões de DVDs.

Um grande desafio será como conseguir a adesão de alguns dos maiores detentores de dados do país. A maneira mais direta seria apreender os dados imediatamente, o que alguns da linha dura sugeriram.

Zhao Yanqing, professor da Universidade de Xiamen, defendeu a nacionalização dos dados de grandes gigantes da tecnologia em um fórum econômico chinês. Como a China bloqueou empresas estrangeiras como Google e Facebook, disse, empresas como Alibaba e Tencent receberam um benefício que agora deve ser compartilhado com a sociedade, segundo transcrição publicada pelo site de notícias nacionalista Guancha.

Ainda assim, a maioria dos analistas considera isso improvável. Embora Xi tenha uma longa história de repreender bilionários que poderiam representar uma ameaça ao Partido Comunista, também quer encontrar uma maneira de garantir que o crescimento seja distribuído de maneira mais uniforme entre os 1,4 bilhão de habitantes da China. Embora a China seja um estado de partido único, o partido apostou sua legitimidade em parte em metas para melhores padrões de vida - e uma economia digital em expansão é a chave para o sucesso.

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