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Dados confirmam proteção da CoronaVac em idosos; confira o que sabemos

·4 minuto de leitura

Passados seis meses da primeira aplicação da vacina CoronaVac no Brasil, muito se descobriu sobre a eficácia e segurança do imunizante contra o coronavírus SARS-CoV-2. Novos estudos da Turquia e do Chile confirmam o caráter protetor da fórmula contra a COVID-19 e, agora, dados levantados pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) apontam para a sua importância em idosos.

Até o momento, os dados do estudo de Fase 3 da CoronaVac, desenvolvido pelo Instituto Butantan, ainda não foram revisados por outros pares e nem tiveram a sua publicação definitiva. No entanto, inúmeras pesquisas — inclusive internacionais — já apontam para a eficácia do imunizante contra a COVID-19. Mais recentemente, dados sobre a efetividade foram compartilhados pela Fiocruz.

Dados do mundo real confirmam proteção da CoronaVac contra a COVID-19 (Imagem: Reprodução/FabrikaPhoto/Envato Elements)
Dados do mundo real confirmam proteção da CoronaVac contra a COVID-19 (Imagem: Reprodução/FabrikaPhoto/Envato Elements)

De forma geral, o imunizante da farmacêutica chinesa Sinovac é "muito útil" em prevenir casos graves, mas é "menos efetiva" na hora de controlar a transmissão ou espelhamento do coronavírus entre as pessoas, aponta o biólogo Fernando Reinach. A análise foi feita, especificamente, a partir dos estudos do Chile e da Turquia.

Efetividade da CoronaVac em idosos

Divulgada na última semana, uma pesquisa da Fiocruz observou que a imunização completa contra COVID-19, composta por duas doses, garantiu uma taxa de efetividade média — capacidade de reduzir hospitalizações e mortes — de 79,8% em pessoas com 60 a 80 anos e de 70,3% em idosos com mais de 80 anos no Brasil. Segundo os autores da nota técnica, "a vacinação foi um importante fator para redução do número de casos graves e óbitos" no país.

Para chegar a esta conclusão, o estudo considerou dados de pessoas imunizadas com a CoronaVac e com a Covishield (AstraZeneca/Oxford) e os registros de hospitalização e morte por síndrome respiratória aguda grave (SRAG). A partir do cruzamento dos dados, os pesquisadores concluíram a efetividade em relação à redução de casos graves e óbitos, a partir dos imunizantes.

No entanto, as vacinas apresentaram taxas diferentes de efetividade. No caso da CoronaVac, a taxa de efetividade é de 79,6% para pessoas com 60 a 79 anos e de 68,8% em idosos com 80 anos ou mais. Agora, se forem considerados todos os imunizados — aqueles com esquema vacinal completo e os que tomaram apenas a primeira dose —, as taxas são de 70,3% em pessoas com 60 a 79 anos e de 62,9% em idosos com 80 anos ou mais.

Fiocruz analisou dados sobre internações e óbitos, após imunização (Imagem: Reprodução/ Governo de São Paulo)
Fiocruz analisou dados sobre internações e óbitos, após imunização (Imagem: Reprodução/ Governo de São Paulo)

Segundo os autores, estes dados consideram o feito da CoronaVac contra a variante Gamma (P.1) do coronavírus, identificada primeiro em Manaus. Isso porque era a cepa dominante quando o estudo foi desenvolvido.

Estudos da CoronaVac na Turquia e no Chile

Pesquisa da vacina na Turquia

Na última sexta-feira (9), o estudo de Fase 3 da CoronaVac na Turquia foi publicado na revista científica The Lancet. No total, o levantamento considerou 11.303 voluntários, divididos entre um grupo de controle (placebo) e um vacinado contra a COVID-19. A taxa de eficácia da fórmula foi calculada em 83,2%, sendo que pode variar de 65,4 a 92,1% (intervalo de confiança do estudo).

No entanto, as análises dos pesquisadores turcos só contemplou a eficácia contra o aparecimento de casos sintomáticos da doença, detectados por exames PCR. Isso significa que casos assintomáticos não entram na contagem. Além disso, o estudo não concluiu a eficácia da fórmula em prevenir internações ou mortes, após a imunização.

Como o estudo foi realizado entre 14 de setembro de 2020 e 5 de janeiro de 2021, a taxa obtida, provavelmente, representa a proteção contra a cepa original do coronavírus (descoberta em Wuhan, na China) e apenas contra as primeiras variantes. É importante observar que esta eficácia é maior que a obtida pelo Butantan no Brasil, estimada em 50,38%.

Entendendo os dados do Chile

Já o estudo chileno, publicado no The New England Journal of Medicine, foi realizado entre os dias 2 de fevereiro e 1 de maio de 2021. No levantamento, que considera também a eficácia contra o coronavírus original e, talvez, as primeiras variantes, foi obtida uma taxa de eficácia de 65,9% da CoronaVac contra a COVID-19 sintomática, após a aplicação das duas doses.

Além disso, a vacina preveniu 87,5% das hospitalizações, 90,3% das internações em UTis e 86,3% das mortes. A vantagem do estudo foi o grande número de voluntários incluídos na análise, afinal foram considerados dados de 10,2 milhões de pessoas. Estes voluntários estavam divididos em três grupos: os não vacinados; os vacinados com uma dose; e os completamente imunizados.

A partir desses resultados sobre efetividade da CoronaVac, é possível concluir que a vacina impede grande parte dos casos graves e de óbitos pela doença. No entanto, com a efetividade menor contra casos leves, é possível que a transmissão da COVID-19 ainda continue. Isso explicaria a alta de casos da doença que o Chile enfrentou.

Para acessar o estudo completo da CoronaVac na Turquia, clique aqui. Para conferir o do Chile, acesse aqui. Agora, para ver a nota técnica da Fiocruz, clique aqui.

Fonte: Canaltech

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