Dados da China e da Europa devem ajudar bolsas em NY

Em um dia com poucos indicadores da economia americana, as discussões sobre o "abismo fiscal" voltam a influenciar com mais força as bolsas de Nova York, que também repercutem indicadores positivos vindos da China e Europa. Às 12h15 (de Brasília), o índice Dow Jones futuro subia 0,44%, o Nasdaq ganhava 0,66% e o S&P avançava 0,48%.

O prazo que republicanos e democratas têm para se entender e evitar o "abismo fiscal" vai se esgotando, faltando apenas 28 dias, isso sem contar o feriado e o recesso para as festas de Natal. Na semana passada, boa parte do sobe e desce das bolsas em Nova York já foi influenciada pelas discussões e isso deve voltar a se repetir nesta segunda-feira e nos próximos dias. O "abismo fiscal" é um conjunto automático de aumento de impostos e corte de gastos que entram em vigor em janeiro se não houver acordo no Congresso.

"É muita incerteza para o mercado", destaca o economista chefe do instituto The Conference Board, Bark van Ark. Ele não está muito otimista com as discussões políticas e prevê que a economia americana entrará em um semi "abismo fiscal" em 2013, com algum corte de gasto e alta de impostos, especialmente para a classe média americana.

O analista do Credit Suisse, Carl Lantz, destaca em um relatório a clientes que o "abismo fiscal" vai dominar a agenda dos investidores nas próximas semanas e pode ser ofuscado apenas pela reunião dos banqueiros do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), nos próximos dias 11 e 12.

A expectativa do Credit é de que seja anunciado pelo Fed para 2013 mais recompra de ativos lastreados em hipotecas e papéis de longo prazo, na medida em que a economia americana ainda não cresce com o vigor esperado e a própria discussão sobre o "abismo fiscal" deve ter impacto para uma expansão menor da economia no quarto trimestre. O banco suíço projeta expansão menor da economia neste trimestre, de 2,2%, abaixo dos 2,7% do terceiro trimestre do ano. A projeção, destaca o analista do banco, tem viés de baixa e pode ser reduzida nos próximos dias.

Sobre o "abismo fiscal", no domingo (02) à noite, em um programa da TV americana, o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, avaliou que os republicanos vão acabar querendo um acordo, aceitando inclusive o aumento de impostos para os americanos mais ricos. "Eles não vão querer ser os culpados por um aumento de taxas para todos os cidadãos americanos", disse o secretário.

Além desse comentário, indicadores positivos sobre a China e a Europa também contribuem para animar o mercado. Na zona do euro, o índice dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) do setor industrial da zona do euro subiu para 46,2 pontos em novembro, o patamar mail alto em oito meses, embora ainda mostre a indústria em desaceleração. Na China, o PMI atingiu em novembro o nível máximo em 13 meses.

Entre os indicadores da economia americana previstos para esta segunda-feira à tarde está o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) do setor manufatureiro dos Estados Unido referente a novembro, calculado pelo ISM. A Markit já divulgou seu PMI final de novembro, que subiu a 52,8, de 51,0 em outubro.

Também está na agenda desta segunda-feira a divulgação dos gastos com construção referentes a outubro. Em setembro, esses gastos subiram no ritmo mais forte dos últimos três meses. A expectativa dos analistas é de que os dados de outubro mostrem expansão de 0,5%.

No mundo corporativo, um dos destaques do dia deve ficar com a companhia aérea americana Delta. A imprensa americana divulgou no final de semana que a Delta teria feito uma oferta para comprar a metade da empresa área britânica Virgin Atlantic. A aquisição seria por meio da compra de ações que a Singapore Airlines detém na Virgin. Nesta segunda-feira, a Singapore confirmou que negocia essa venda.

A aquisição seria uma forma de a Delta, segunda maior companhia aérea dos Estados Unidos, ter presença maior em Heathrow, maior aeroporto do mundo, em Londres. Já os papéis da fabricante de computadores Dell subiam 6,02% no pré-mercado, após o banco de investimento Goldman Sachs divulgar relatório elevando a recomendação para a empresa para "compra". A justificativa é a melhora de expectativas para a companhia e o fato de os papéis já terem caído bastante.

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