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Dá sim para viver viajando. Saiba como e veja o mundo com outros olhos!

Workaway (Divulgação)
Workaway (Divulgação)

É certo dizer que quase todo mundo sonha viajar por aí. Claro, não dá para generalizar, mas descobrir novos destinos e culturas é um desejo comum dentro da maioria das pessoas. Porém enquanto muitos anseiam por um hotel 5 estrelas e todas as mordomias de um lugar para apenas relaxar, outros querem vivenciar experiências diferenciadas que muitas vezes envolve inclusive trabalhar. Parece estranho, mas é o tipo de viagem que tem se tornado uma tendência, ainda mais para quem não tem tanta grana para gastar realizando viagens o tempo todo. Mas, no entanto, quer estar sempre por aí em algum canto do mundo. E, apesar de ser algo mais comum entre jovens, não está limitado a nenhum perfil. Basta ter o espírito de viajante – aquele que encara e se vira – e disposição.

Se trata de um programa onde são ofertadas vagas para quem aceita trabalhar seja em um hostel, uma organização não governamental, fazenda ou comunidade agrícola em troca de hospedagem e alimentação. Ou seja viajar sem gastar muito! A prática não é nenhuma novidade, na década de 1990, meu pai Roberto Maia, no auge dos seus 30 anos, foi colher maçãs em Commugny, uma comuna na Suíça próxima a Genebra para juntar dinheiro e depois percorrer a Europa por 15 dias.

Roberto Maia (Arquivo pessoal)
Roberto Maia (Arquivo pessoal)

Naquela época era tudo na base do boca a boca. Ele ficou sabendo da possibilidade por conta de um amigo brasileiro que morava em Londres e que já havia vivenciado isso outras quatro vezes. Em troca do serviço prestado por um mês tinha uma cama, refeições e recebia 80 francos suíços por dia – que no Brasil dava 5.670 cruzeiros, cerca de US$ 65.

O trabalho, das 8 às 18h com uma hora de almoço e 15 minutos de lanche pela manhã e à tarde, como ele mesmo define era pesado, ainda mais para os novatos. Porém eram muito bem tratados e havia um contrato. Sem contar que, como aos sábados era até o meio dia, sobrava tempo para conhecer cidades vizinhas. “Foi – sem sombra de dúvidas – uma das experiências mais válidas da minha vida. Além de ter sido minha primeira viagem para fora da América Latina abriu meus olhos para um mundo além do Brasil. E isso em meio a um cenário político-econômico conturbado vivido pelo nosso país”, conta.

Tecnologia a nosso favor

Nos tempos atuais, no entanto, existem plataformas que ajudam a descobrir oportunidades por aí afora. Como os sites WWOOF, Workaway e Helpx. Através deles viajantes interessados neste tipo de experiência encontram desde trabalho para ensinar inglês até mesmo, como o Maia, ajudar em plantações. Há ainda as organizações que oferecem trabalho voluntário. Porém vale a ressalva que nestes casos nem todas as vagas são gratuitas, então é preciso ficar atento nas buscas, já que algumas entidades cobram para se manterem. Os sites em si cobram apenas uma assinatura para ajudar na causa, e, em retorno, disponibilizam contatos de confiança, para ninguém cair em roubada.

Bom, na teoria pelo menos, pois depois de conversar com algumas pessoas que encararam algumas aventuras deste tipo, nota-se que nem sempre é assim. O casal Renan Greinert e Michele Martins, por exemplo, saiu do Brasil há um ano e meio para uma viagem de volta ao mundo e, por indicação de amigos, encontram as ofertas do Workaway mais interessantes e decidiram fazer o cadastro. “A princípio achamos excelente. Muitas vagas legais, principalmente na área de projetos sociais e trabalhos solidários. Infelizmente, quando tentamos usar pela primeira vez, vimos que a maioria desses trabalhos nem responde. Isso nos deixou um pouco decepcionados”, relatam.

Renan Greinert (Arquivo Pessoal)
Renan Greinert (Arquivo Pessoal)

E antes o desapontamento tivesse ficado só online. Não foi o caso. “Nossa primeira (e única) viagem deste tipo foi em Bariloche, trabalhando num hostel. Foi interessante, mas não era bem o que queríamos. Como falamos, a intenção era atuar em alguma área social, e não apenas economizar em hospedagem. Outra coisa que nos decepcionou foi quando descobrimos que era um trabalho ilegal: um dia apareceu a fiscalização e tivemos que fingir que éramos apenas hóspedes. Mas, tirando isso, valeu a experiência. Conhecemos bastante gente bacana e aprendemos muito”, lembram.

Apesar dos pesares ambos recomendam como alternativa para quem quiser viajar gastando pouco. Contudo também pontuam a importância de negociar antes as condições do trabalho, para que, diferente deles a realidade não seja outra da descrita no site. “Alguns estabelecimentos (acredito que são a minoria, mas existem) buscam um escravo em vez de um voluntário. Mantenha distância desses. Agora, se a ideia é trabalhar em projetos sociais ou com animais, esqueça. Nunca obtivemos resposta de nenhuma vaga deste tipo. Quando tentamos fazer contato diretamente com eles (por fora do Workaway) descobrimos que era preciso pagar (caro) para trabalhar”, ressaltam.

Para Guilherme Lages Santos, a descoberta veio quando planejava um mochilão num ano sabático que tirou para vivenciar experiências. Ao procurar possibilidades de trabalhos que pudesse fazer enquanto viajava se deparou primeiro com o WWOOF. Depois de mais pesquisas encontrou o Helpx e o Workaway. Acabou optando (e recomenda) este último por achar o site melhor estruturado e fácil de realizar buscas de oportunidades. “Eu estava na Espanha, após o Caminho de Santiago de Compostela, e queria passar mais tempo no país. Depois de mandar inúmeras solicitações de candidaturas comecei a receber respostas. Fui parar no povoado de La Cañada del Fenollar, na província Alicante”, lembra.

Guilherme Lages Santos (Arquivo pessoal)
Guilherme Lages Santos (Arquivo pessoal)

Porém para que recebesse permissão de ir até a fazenda, foi questionado pelo anfitrião se tudo bem dormir no chão da garagem, já que a casa estava cheia e não poderia garantir uma cama. Depois de concordar partiu rumo aquele fim de mundo espanhol. “Fui designado a fazer as atividades que demandam mais força, pois era o único homem (além do dono) trabalhando entre um grupo de sete pessoas. Passei bons dias sob sol escaldante de verão cortando, carregando e limpando bambus. Bem como no plantio e colheita de vegetais, criação de linhas de irrigação, separação de lixo, arando a terra e muitas outras coisas”, relata.

Ao final das quase três semanas foi inclusive surpreendido com uma oferta de emprego na cooperativa da cidade. “Se trata de uma experiência ímpar na minha vida. Por isso recomendo. É uma troca enriquecedora seja com o anfitrião, outros voluntários ou com as pessoas que você interage. O aprendizado é outro ponto importante a ser levado em consideração ao decidir fazer um trabalho desses. Além de aprendermos novas atividades também vamos aprender muito sobre nós mesmos e do que nem sabíamos que éramos capazes”, reflete.

Questionado se pretende fazer mais viagens deste tipo é categórico: “sem dúvidas!”. Inclusive ele segue acessando regularmente o site para, assim que possível, embarcar com destino a novas experiências que possam agregar em sua vida.

Já Flávio Mendes descobriu sobre o Workaway sem querer na internet há alguns anos atrás. Quando quis vivenciar uma imersão cultural maior, trabalhando e convivendo com moradores locais. Nessas já fez três trabalhos voluntários através do site, todos na Ásia. “Ninguém nunca acreditou que eu poderia fazer algo desse tipo. Mas em nenhum momento senti dificuldades. Acredito que podemos viver da mais simples forma possível. E acho que todos devem experimentar pelo menos uma vez na vida”, afirma.

Flávio Mendes (Arquivo pessoal)
Flávio Mendes (Arquivo pessoal)

Em sua primeira experiência foi consciente e preparado para deixar de lado qualquer frescura. “Vivia praticamente dentro do mato em um bangalô de madeira de frente para o mar. O chuveiro era de água fria e a descarga era na base do balde. Mas nada desmotivador”, relembra. Em contrapartida, na última trabalhou em meio a uma grande metrópole. Foram quase três meses fazendo de tudo num hostel em Kuala Lumpur. Da recepção a regar plantas e limpar banheiros.

“Tive a oportunidade de conhecer muitas pessoas e treinar bastante o inglês. De quebra ainda arranjei uns bicos, de figurante em um filme malaio e barman a trabalhar em parceria com a Secretaria de Turismo. Deu para vivenciar de tudo um pouco. Mas, comparando uma com a outra, a primeira imersão cultural foi muito maior. Foi a melhor experiência de todas que tive até hoje”, afirma.

Em suma, essas ferramentas são uma ótima alternativa para quem quer conhecer o mundo gastando pouco. E, de quebra, absorver melhor a cultura local. Porém é preciso se informar bem quanto a legislação de cada país com relação a este tipo de trabalho, para não correr riscos de ser deportado. Agora, se a ideia é ser voluntário em projetos sociais o ideal é buscar diretamente as ONGs ou plataformas específicas, como a Organização das Nações Unidas (ONU). E, de uma maneira geral, não é necessário ter um perfil específico para se candidatar a uma das vagas ofertadas. Basta estar disposto de braços (e alma) abertos. Existem inúmeros tipos de oportunidades, bem diversificadas e que servem para todos.

As plataformas mais conhecidas:

WWOOF – Uma das redes voluntárias mais famosas e que abrange boa parte do mundo, costuma oferecer trabalho em fazendas orgânicas de baixa infraestrutura. A carga horária de trabalho fica entre 4 e 6 horas diárias, em troca de comida e acomodação durante todo o tempo.

Helpx – Tem a mesma premissa e carga horária do WWOOF, mas vai além das fazendas, ofertando oportunidades também em lugares como hotéis e hostels. A assinatura vale por dois anos e disponibiliza contatos do mundo todo, com opções variadas para todo tipo de perfil.

Workaway – No mesmo estilo do Helpx, costuma ser mais procurado devido ao seu site ter uma navegação mais prática. O site conta com filtros, onde é possível, por exemplo, escolher o tipo de trabalho, o país ou buscar por palavras-chave. Como os demais há vagas em todo o mundo e são na base da troca.

Por Carolina Maia