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Da herança da perda de jogadores ao título: Eduardo Baptista relembra temporada do Mirassol ao L!

João Alexandre Borges*
·5 minuto de leitura


A história do Mirassol na temporada de 2020 é uma daquelas daria um filme de cinema. A crise gerada pela pandemia do novo coronavírus afetou a todos os clubes, e, com o Leão, não foi diferente. Durante a paralisação do Paulistão, o time até então comandado por Ricardo Catalá chegou a perder 18 jogadores.

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Mesmo com tantos desfalques, a equipe fez uma campanha surpreendente, bateu o São Paulo por 3 a 2 e terminou a competição na terceira colocação do Estadual. Contudo, Ricardo Catalá deixou o Mirassol para assumir o Guarani.

A missão de comandar o Leão na Série D coube, então, a Eduardo Baptista, que chegou ao clube do interior de São Paulo pouco mais de duas semanas antes do começo da competição. Para a estreia, no dia 20 de setembro, o elenco contava com três remanescentes do Paulistão e 12 reforços. Além disso, seis jogadores foram promovidos das categorias de base, o que deixou o time com uma média de apenas 22 anos de idade.

- Realmente foi uma conquista única, é um campeonato muito difícil, talvez o mais difícil que eu tenha disputado por vários aspectos. Quando chegamos aqui (no Mirassol), tínhamos 15 dias (para preparar o elenco para a estreia na Série D). Aquele time do Mirassol que tinha ficado em terceiro lugar do Campeonato Paulista praticamente se desfez. – disse Eduardo Baptista em entrevista ao LANCE!.

- A gente sabia que tinha um grupo muito forte e que tínhamos que montar um time competitivo. Então, essa foi a primeira ideia de planejar e de organizar a equipe, e de jogar uma fase muito difícil, muito difícil mesmo. Mas o encaixe se deu muito rapidamente, facilitou bastante o entendimento dos meninos, conseguimos bons resultados e aí conforme foi se desenhando uma classificação para próxima fase, nós já começamos a monitorar alguns jogadores mais experientes que poderiam nos ajudar.

Mirassol Campeão
Mirassol Campeão

Este é o terceiro título da história do Mirassol e o primeiro em âmbito nacional (Foto: Marcos Freitas / Agência Mirassol)

Eduardo Baptista revelou que, na primeira conversa com a diretoria, a ideia era montar um time competitivo para a próxima edição do Campeonato Paulista. No entanto, ele destacou a importância do Campeonato Brasileiro não só pela briga pelo acesso, como também para dar amadurecimento aos atletas e aproveitá-los no Paulistão.

- Nós não tínhamos nem uma base pronta ainda, mas nós aceleramos o trabalho e a busca por atletas e por jogadores que pudessem vir a nos ajudar. Aí, quando as coisas começaram a se desenhar, a equipe ganhou um corpo. O acesso era o grande objetivo, mas sempre falei pros atletas “quando a gente briga por um acesso, você tem que mirar o título porque se você errar o título, o acesso está mais fácil”.

Um dos jogos mais difíceis do Mirassol foi na segunda fase, primeira fase mata-mata da Série D, contra o Caxias, que foi vice-campeão gaúcho em 2020. No jogo de ida, vitória do time gaúcho por 1 a 0, na volta vitória do time do interior do São Paulo pelo mesmo placar. Nos pênaltis, por 3 a 0, o Mirassol garantiu a classificação para fase oitavas de final, contra o Brasiliense.

- Foi neste jogo que as coisas sinalizaram bem para gente. O momento que nós vimos que o acesso ficou muito próximo foi no segundo tempo do primeiro jogo contra o Caxias. Estávamos perdendo de 1 a 0, mas tínhamos todo o domínio da partida, e tivemos um zagueiro expulso. Aí jogamos praticamente 45 minutos com um jogador a menos.

- Quando nós passamos pelo Caxias, nos enchemos de confiança. Se a gente ainda tinha alguma dúvida, elas se esgotaram. Continuamos trabalhando, vieram adversários difíceis também, mas vimos que tínhamos eliminado um grande rival que estava preparado para acesso. Aí a equipe ganhou muita força e confiança. Talvez, se o Caxias passasse do Mirassol, estariam no nosso lugar hoje (teriam sido campeões) sem sobra de dúvidas.

MELHOR DEFESA E ATAQUE DO GRUPO 7

A primeira fase da Série D de 2020 foi elaborada com 64 times divididos em oito grupos - portanto, foram oito grupos cada qual com oito times. O Mirassol se classificou para a próxima fase com a melhor marca de gols feitos e de gols sofridos do grupo 7. Em 14 rodadas disputadas foram 31 gols pró e nove gols contra.

- Quando a gente fala em defesa, às vezes, muita gente culpa zagueiro, volante, mas a defesa começa lá no centroavante. Lógico que cada um tem peso de responsabilidade em marcação, a responsabilidade do 9, lógico que não é a mesma do 3 e do 4, dos zagueiros, mas todos tem uma responsabilidade. Esse comprometimento foi muito importante.

Mirassol x Floresta
Mirassol x Floresta

Partida da final do jogo da ida aconteceu no Estádio Carlos de Alencar por incêndio que se abateu na Arena Castelão (Foto: Ronaldo Oliveira/Floresta)

DE OLHO NA SÉRIE C

O início da Série C de 2021 está agendado para o dia 30 maio. Sobre o planejamento para o campeonato, Baptista revelou que o planejamento é buscar o acesso. A ideia, segundo ele, é montar uma equipe competitiva.

- A gente sabe bem que se você consegue uma pontuação alta, se você consegue chegar bem no Paulistão, a tendência de você perder essa equipe é muito grande. Haja vista que equipes de Série A e B monitoram o Campeonato Paulista. Acontece o que aconteceu no ano passado com o próprio Mirassol.

- Temos o planejamento de fazer um Paulistão forte, estamos tentando montar um time com todos com contrato até o final de 2021, para que a gente possa se perder alguém, ter uma base para iniciar a Série C. A nossa grande dificuldade no início da Série D foi não ter tido uma base. Nós montamos um time durante a competição. A ideia é que chegue na Série C, ao fim do Paulista, que você tenha, na pior das hipóteses, um esqueleto, um início para você começar a disputa e brigar pelo acesso.

*estagiário sob a supervisão de Aigor Ojêda