Dólar zera alta inicial e recua sob leilão BC

O mercado de câmbio doméstico abriu nesta segunda-feira alinhado à alta do dólar ante o euro e algumas moedas ligadas a commodities no exterior. O ajuste positivo inicial ante a moeda brasileira, no entanto, logo perdeu força e o dólar passou a cair. Mas a expectativa é de que a demanda por dólar possa ser retomada ao longo da sessão, sustentando a volatilidade das cotações.

No exterior, predomina o sentimento de cautela, sobretudo em relação à Grécia e a Espanha. Já no Brasil, por ser a última semana de novembro, devem se intensificar as rolagens de contratos de derivativos cambiais na BM&FBovespa.

Com isso, é possível que os agentes financeiros tentem forçar uma alta, de modo que o dólar volte a ficar perto de R$ 2,12, como visto na sexta-feira passada (23). Há interesse do mercado em que o Banco Central confirme, ou não, se esse patamar de preço é mesmo um novo teto informal do dólar.

"A pressão dos comprados no mercado futuro em defesa de um dólar mais forte pode dar combustível à volatilidade das cotações, já que os "vendidos" deverão atuar em sentido contrário", disse um operador de um banco.

Há dúvida nas mesas de câmbio se o BC irá concluir antecipadamente a liquidação do próximo vencimento de quase US$ 3,1 bilhões em contratos de swap cambial reverso ou se deixará o saldo restante para liquidação na data de vencimento, em 3 de dezembro. Na sexta-feira passada, após declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que o câmbio "não está em posição totalmente satisfatória", o dólar disparou até a máxima no balcão de R$ 2,117 e, do dólar para dezembro de 2012, de R$ 2,120.

O Banco Central (BC) foi obrigado a agir, no fim da manhã, por meio de um leilão de swap cambial (venda de dólares no mercado futuro). A intervenção fez o dólar abandonar o território positivo e passar a registrar perdas em relação ao real. Nesse leilão, o BC vendeu 32.500 contratos de swap tradicional para vencimento em 3 de dezembro de 2012, em um total de US$ 1,620 bilhão. Com isso, foram liquidados antecipadamente 51,75% dos US$ 3,1 bilhões do próximo vencimento de swap cambial reverso - que representa a compra de dólares no mercado futuro - marcado também para 3 de dezembro.

A medida do BC, na sexta-feira (23), fez vários analistas citarem que um novo teto para a moeda americana foi estabelecido. Em reação, o dólar no balcão terminou com queda de 0,67%, a R$ 2,0830, enquanto o dólar para dezembro de 2012 encerrou em baixa de 1,14%, a R$ 2,0840.

Nesta segunda-feira, no mercado à vista, o dólar no balcão abriu em alta de 0,10%, a R$ 2,0850. Posteriormente, renovou mínimas até R$ 2,080, baixa de 0,15%.

No mercado futuro, às 9h34, o dólar para dezembro de 2012 estava na mínima, a R$ 2,0775, baixa de 0,31%, ante uma máxima, de R$ 2,0880 (+0,19%). O preço de abertura foi de R$ 2,0860 (+0,10%).

Em Nova York, às 9h36 (pelo horário de Brasília), o euro estava em US$ 1,2971, ante US$ 1,2976 no fim da tarde de sexta-feira (23). O dólar norte-americano subia diante do dólar australiano (+0,15%), do dólar canadense (+0,12%), da rupia indiana +0,50%) e do dólar neozelandês +0,14%).

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