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Dólar volta a subir com foco em Renda Cidadã

Marcelo Osakabe
·3 minutos de leitura

Após um dia marcado pela volatilidade na primeira metade da sessão, o dólar encerrou em alta de 0,06%, a R$ 5,6389 Os receios fiscais que cercam a proposta do governo para o custeio do Renda Cidadã se mantiveram no foco dos negócios nesta terça-feira. Embora nenhuma novidade tenha sido anunciada, o mal estar com o plano do governo permeou o pregão e impediu que o real seguisse o comportamento mais geral das demais divisas no exterior, que se fortaleceram ante a moeda americana. Após um dia marcado pela volatilidade na primeira metade da sessão, o dólar encerrou em alta de 0,06%, a R$ 5,6389. No horário de fechamento, apenas outras 9 das 33 divisas mais negociadas do planeta operava em queda contra o dólar. “O mercado segue estressado com o Renda Cidadã financiado por precatórios. Por mais que o dólar tenha rondado a estabilidade, é preciso lembrar que isto acontece em um patamar bastante alto”, diz a estrategista-chefe do banco Ourinvest, Fernanda Consorte. “A impressão que passa é que, na queda de braço entre a agenda liberal e a populista, a primeira perdeu pontos, o que significa que [o ministro da Economia, Paulo] Guedes também perdeu. O fato de que a nova CPMF ter perdido tração é mais um sinal de que ele está com menos prestígio.” Lá fora, o clima foi de aguardo pelo primeiro debate presidencial nos Estados Unidos. Analistas se perguntam se o escândalo sobre o não pagamento imposto de renda revelado sobre o presidente Donald Trump terá efeito sobre a corrida presidencial. “Ainda é muito cedo para saber se o escândalo irá afetar as intenções de voto. As pesquisas após o debate serão monitoradas de perto, mas os índices de cada candidato mudaram pouco ao longo dos últimos meses, sugerindo que boa parte das decisões já foi tomada”, afirmam analistas do Brown Brothers Harriman. Internamente, permanece o mal-estar criado pela proposta do governo para o financimento do Renda Cidadã em 2021. Após a forte reação negativa, veículos de imprensa deram relatos desencontrados de ontem para hoje sobre a disposição do presidente e de aliados de abandonar ou seguir em frente com a proposta apresentada ontem, que prevê a utilização de recursos do Fundeb e de precatórios para financiar o programa de assistência no ano que vem. Em comentário por escrito, diretora-gerente de ratings soberanos da Fitch para as Américas, Shelly Shetty, afirmou que a atual proposta do governo para financiar o Renda Cidadã em 2021 não prevê a redução em outras despesas obrigatórias que estão sob o teto de gastos e, com isso, evidencia a pressão por novos dispêndios no Brasil, bem como o desafio de se promover uma consolidação fiscal em um contexto de alta rigidez orçamentária. “Acreditamos que a proposta atual ressalta nossas preocupações referentes aos riscos negativos para as finanças públicas. O plano de introduzir um novo programa social deve pressionar ainda mais os gastos obrigatórios, o que vai contra a intenção do governo de coibir o crescimento desse tipo de dispêndio e limitar as medidas de suporte fiscal este ano”, diz Shelly. Ela também informou que a agência de rating irá continuar a monitorar a trajetória da dívida, credibilidade do plano de consolidação e dinâmica da composição doméstica da dívida crescimento da economia para reavaliar o rating do Brasil, atualmente em BB-, com perspectiva negativa.” Daniel Acker/Bloomberg