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Dólar volta a R$ 5,12 em dia de ajuste para divisas emergentes

Marcelo Osakabe

Alta ocorre após uma sequência de quedas da moeda Após uma sequência de dias positivo, o rali das divisas emergentes contra o dólar perdeu tração nesta quinta-feira, dando lugar a um dia de ajustes ajudado por um noticiário ligeiramente menos positivo no exterior. No Brasil, onde a moeda americana se desvalorizou 5,46% nos dois pregões anteriores, o sinal vindo de fora afastou o câmbio dos R$ 5,00.

Após passar a maior parte do pregão oscilando perto da estabilidade, o dólar fechou o dia negociado a R$ 5,1297. No mesmo horário, a moeda americana subia 0,83% contra o peso mexicano, 1,01% frente ao rublo russo e 0,36% ante a ira turca.

A pausa da tendência de enfraquecimento do dólar, no entanto, atingiu apenas parte dos pares comparáveis. A moeda americana recuava 1,85% contra o peso chileno 0,62% frente o peso colombiano e 0,55% ante a rupia indonésia.

“É completamente normal uma pausa após dois dias violentos como os que ocorreram”, diz José Faria Junior, diretor da WIA Investimentos. “Ainda assim, o cenário é positivo para a moeda brasileira e, se perder o patamar de R$ 4,95, acredito que possa buscar os R$ 4,80 em breve.”

Hoje, o ajuste foi ajudado por uma combinação de declarações da presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, que negou a inclusão títulos especulativos (junk bonds) dentro do programa de ações emergenciais para a pandemia (PEPP) da instituição, e um dado pior que o esperado nos Estados Unidos.

Principal evento do dia, a decisão de juros do BCE agradou os mercados ao ampliar o PEPP em 600 bilhões de euros, 20% a mais do que esperavam os analistas. No entanto, houve certa frustração com a fala de Lagarde, que disse que os dirigentes não discutiram a inclusão de ativos "indesejados" dentro do programa.

Para o ING, o aporte maior que o esperado e também o anúncio de que os reinvestimentos do programa irão durar até o fim de 2022 são positivos para a moeda do bloco. Ainda assim, "o euro já vem sendo negociado acima do seu valor justo de curto prazo. Dessa forma, vemos folga apenas limitada para uma valorização idiossincrática da moeda", dizem analistas do banco holandês em nota. "Dessa forma, acreditamos que o programa tenha um caráter sobretudo estabilizador sobre a divisa, evitando que ela se enfraqueça demasiado".

Outro fator que desagradou o investidor global foram os pedidos iniciais de auxílio-desemprego nos Estados Unidos. Na semana passada, eles caíram a 1,877 milhão, acima da expectativa de 1,8 milhão dos analistas consultados pelo Wall Street Journal. "Esta é a nona queda consecutiva do dado. Ainda assim, após 11 semanas de crise, o indicador permanece assustadoramente alto", dizem economistas do Wells Fargo. Outro dado preocupante, acrescentam, é que, embora os EUA estejam reabrindo a economia, os pedidos continuados de auxílio subiram a 21,5 milhões.

De olho no comportamento recente do dólar no Brasil, o MUFG manteve a previsão de R$ 4,50 para o fim do ano, mas ainda vê risco de que a moeda encerre o ano acima desse patamar. "Primeiro, a pandemia da covid-19 pode durar mais que o esperado, pode fazer o governo estender as medidas de mitigação e elevar o risco de torná-las permanentes", dizem os economistas do banco. "Além disso, o número de polêmicas em que o presidente Jair Bolsonaro está envolvido pode reduzir o progresso de reformas estruturais. Por último, mas não menos importante, o risco de impeachment continua vivo, ainda que as chances hoje pareçam baixas."

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