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Dólar volta a atingir máxima e Ibovespa tem alta

Marcelle Gutierrez e Marcelo Osakabe

Moeda brasileira falha novamente em capturar o alívio no exterior A decepção com as vendas no varejo alimentam os receios de que o crescimento do Brasil seja menor do que o inicialmente previsto par este ano. Como resultado, a moeda brasileira falha novamente em capturar o alívio no exterior com o ritmo menor de casos registrados do Covid-19, doença provocada pelo coronavírus, que dá sustentação aos demais ativos de risco nesta quarta-feira.

Por volta das 16h20, a moeda americana avançava 0,42%, aos R$ 4,3449, após ter batido a máxima intradiária histórica de R$ 4,3510.

Segundo o IBGE, as vendas no varejo restrito recuaram 0,1% em dezembro ante novembro, contrariando a mediana das estimativas dos analistas consultados pelo Valor Data, que era de alta de 0,2%. Já as vendas no varejo ampliado caíram 0,8% no período, também pior do que a mediana das opiniões dos consultados, de queda de 0,2%.

Em conversa com o Valor, o economista-chefe da Tullett Prebon, Fernando Monteiro, avalia que o dado reforça a perspectiva de que a expansão do PIB fique mais próxima de 2% este ano.

Outra reação dos analistas ao dado foi de que ele abre espaço para novos cortes na taxa básica de juros pelo Copom, diz Cleber Alessie Machado, operador da Commcor. “O dado de varejo mantém a dinâmica que temos visto e impede um suspiro do real.”

O comportamento dos mercados desde o início da epidemia de Covid-19 na China levou o J.P. Morgan a rebaixar a recomendação para o real brasileiro de “overweight” (acima da média do mercado) para neutra.

Em relatório, o banco americano - que elegeu o Brasil como uma de suas principais apostas para 2020 em dezembro - nota que as perspectivas de médio prazo do país continuam positivas. No entanto, a deterioração do sentimento de risco e os potenciais efeitos sobre a economia real levaram o banco a interromper a aposta sobre a moeda brasileira.

“Iniciamos 2020 comprados em real esperando que a recuperação do PIB do país, valuations baratas e agenda econômica positiva iriam se traduzir em suporte à moeda. Desde então, no entanto, o coronavírus impactou o crescimento do PIB global e o Brasil não ficou ileso a essa deterioração no sentimento”, dizem os estrategistas do banco em relatório. “Por causa disso, interrompemos com perdas nossa posição ‘bullish’ em real uma vez que, mesmo que os mercados se recuperem rapidamente, o momento exato da inflexão é difícil de prever.”

Outra instituição que não se arrisca a entrar no real é o Citi. “Aguardamos novos dados que fechem firmemente a porta para novos cortes”, diz o banco americano em relatório.

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Bolsa

As ações da Vale e Petrobras, que estão entre as chamadas blue chips, têm uma valorização superior ao Ibovespa. O movimento, segundo profissionais do mercado, é sustentado pela alta das commodities, que se recuperam após o clima de cautela causado pelo coronavírus. No caso de Petrobras, os papéis “destravaram” após a oferta de ações do BNDES.

Às 16h20, o Ibovespa tinha alta de 1,85%, aos 117.505 pontos. No mesmo horário, Vale ON subia 2,29%, Petrobras ON (1,91%) e Petrobras PN (2,54%).

Para Adriano Cantreva, sócio da Portofino Investimentos, o índice hoje acompanha o movimento positivo no exterior. “Petrobras teve uma queda passageira e agora dá uma recuperada, junto com a melhora global e do petróleo. A venda da participação do BNDES foi bem-sucedida e limpa o cenário”, diz.

O contrato Brent para abril negociado em Londres subia 3,26%, a US$ 55,77. Na Nymex, o WTI para março avançava 2,52%, a US$ 51,20.

No caso do minério de ferro, a alta hoje foi de 0,86%, a US$ 87,68. Ontem, a commodity já havia valorizado 4,9%.