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Dólar vai a R$ 5,79 e juros futuros sobem com exterior negativo e risco fiscal

Victor Rezende
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Movimento de aversão a risco nos ativos globais contamina desempenho do câmbio e da curva de juros Os temores que chacoalham os mercados europeus diante do aumento significativo do número de casos de covid-19 e a incerteza elevada em relação às eleições presidenciais americanas espalharam um movimento de aversão a risco nos ativos globais, o que contaminou o desempenho do câmbio e da curva de juros. O dólar tem alta forte contra o real e as taxas futuras exibem recomposição de prêmio ao longo de toda a curva, especialmente nos trechos mais longos, enquanto os ruídos em torno do rumo das contas públicas não se dissipam e dão mais gás ao movimento. O dólar já subia mais de 1% sobre o real nas primeiras operações do dia e, na máxima, chegou a R$ 5,79. O Banco Central realizou um leilão de dólares no mercado à vista, vendendo US$ 1,042 bilhão e, com isso, a valorização da moeda americana amenizou. Por volta das 11h20, a divisa saía a R$ 5,7460, alta de 1,06%. No mercado de juros futuros, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 subia de 3,44% no ajuste anterior para 3,51%; a do DI para janeiro de 2023 avançava de 4,93% para 5,04%; a do contrato para janeiro de 2025 saltava de 6,67% para 6,79%; e a do DI para janeiro de 2027 escalava de 7,49% para 7,62%. A piora no quadro sanitário na Europa faz com que governos estudem adotar novamente medidas mais drásticas de isolamento social, com destaque para a França, que cogita um novo “lockdown” em seu território. É preciso lembrar que alguns indicadores antecedentes e de confiança já apontavam para a perda de ímpeto da economia da zona do euro com a chegada da segunda onda de casos. Algumas instituições financeiras, inclusive, já projetam nova contração do PIB da zona do euro no quarto trimestre. O estresse no exterior também se dá diante do estreitamento entre o democrata Joe Biden e o republicano Donald Trump em pesquisas eleitorais em estados importantes nas eleições presidenciais nos Estados Unidos, como Flórida e Pensilvânia. Esse cenário promove um estresse, justamente, nas moedas de mercados emergentes. Há pouco, o dólar subia 1,51% ante o peso mexicano, avançava 1,26% em relação ao rand sul-africano, saltava 1,69% contra o rublo russo e tinha alta de 1,12% na comparação com a lira turca, que continua a renovar mínimas históricas. iStock Se já não bastassem as questões internacionais, a disputa pela presidência da Comissão Mista Orçamentária (CMO) foi explicitada ontem pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o que penalizou os ativos brasileiros. À percepção de que a agenda de reformas estruturais continua travada soma-se a indicação do senador Marcio Bittar (MDB-AC) de que o Renda Brasil deve ser votado ainda este ano, embora ele não tenha dado explicações sobre como o programa será financiado, gerando ainda mais incerteza no campo fiscal. Sobre esse tema, o mercado espera um tom mais cauteloso por parte do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, cuja decisão será divulgada hoje, depois do fechamento dos mercados. A ampla expectativa dos agentes é de manutenção da taxa básica de juros nos atuais 2%, mas a comunicação será chave diante do aumento das pressões inflacionárias no curto prazo e das dúvidas crescentes quanto à sustentabilidade das contas públicas.