Mercado fechará em 4 h 6 min

Dólar vai a R$ 5,23 de olho em covid-19 e Copom

Lucas Hirata

A busca por proteção do dólar imperou hoje no mercado brasileiro de câmbio, levando a cotação da divisa americana para um avanço de quase 2%. Diante de preocupações com o aumento de casos da covid-19 pelo mundo, em um ambiente de juros cada vez mais baixos, o dólar firmou sua quinta alta consecutiva, sendo negociado agora a R$ 5,23, a despeito do ambiente mais favorável a ativos de risco como ações globais.

Hoje, o dólar comercial fechou em alta de 1,84%, aos R$ 5,2365, depois de tocar R$ 5,2420 na máxima do dia. Com isso, a moeda americana se distanciou das mínimas da sessão, quando chegou a operar em queda, até a marca de R$ 5,0484.

O mercado de câmbio sofre “alguma influência da expectativa sobre a postura do Copom", o Comitê de Política Monetária, explica Marcos Mollica, gestor do Opportunity. Apesar dessa percepção no mercado, o profissional acredita que o Copom deve indicar uma pausa no processo de afrouxamento monetário e colocará exigências maiores para aplicar novos cortes.

Outro fator que segue incomodando é a evolução da pandemia. “Acho que estamos melhorando, mas muito lentamente. Quando começam a aparecer dificuldades na abertura em outros lugares, o mercado coloca um risco adicional para o Brasil”, acrescenta.

A busca por proteção se intensificou hoje com a notícia de que Pequim está elevando o nível de alerta com a covid-19 e já teria ordenado o fechamento de escolas, o que intensifica a preocupação com uma segunda onda de contágio da doença na segunda maior economia do mundo.

Para o diretor de investimentos da TAG, Dan Kawa, os fundamentos para um real mais depreciado estruturalmente não mudaram. “Piora fiscal, menor diferencial de juros, menor custo de oportunidade de ter o dinheiro no Brasil, ambiente político conturbado, entre outros”, afirma. E isso ajuda a explicar reversão da trajetória de alívio no dólar, que poucos dias atrás estava em menos de R$ 5.

“Como o mercado andou nas últimas semanas, a reação agora vem com mais força, dado o nível de preço. Notícia ruim é sentida com mais intensidade”, diz Luiz Eduardo Portella, sócio e gestor da Novus Capital. Ele explica que o mercado de câmbio fica mais vulnerável quando o dólar está mais próximo de R$ 5, sofrendo o risco de movimentos mais fortes, a exemplo do que ocorre nas últimas cinco sessões. “E na semana de Copom, o mercado fica muito mais volátil, já que todo mundo fica na expectativa do comunicado sobre os próximos passos”, diz.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anuncia sua decisão de juros amanhã, sob ampla expectativa no mercado de mais um corte de 0,75 ponto percentual, que levaria a Selic de 3,00% para 2,25%. Para a reunião de agosto, o mercado de juros embute uma queda de 0,10 ponto percentual da taxa – ou seja, com chances divididas entre a manutenção da Selic e uma baixa reduzida, de 0,25 ponto percentual.

Andrew Harrer/Bloomberg