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Dólar vai abaixo de R$5,03 com otimismo sobre China e fluxos pós-eleição; mercado digere dados dos EUA

Notas de dólar

(Texto atualizado com mais informações)

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar caía acentuadamente frente ao real nesta sexta-feira, em linha com a disparada de divisas sensíveis às commodities diante de expectativas de que a China relaxe medidas de combate à Covid, enquanto a manutenção de ingressos de recursos estrangeiros no Brasil após a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) exercia pressão adicional sobre a moeda norte-americana.

Às 10:39 (de Brasília), o dólar à vista recuava 1,59%, a 5,0404 reais na venda. Na mínima do dia, a divisa dos Estados Unidos chegou a cair a 5,0274, menor patamar intradiário desde 30 de agosto.

Na B3, às 10:39 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 1,50%, a 5,0670 reais.

A China está trabalhando em um plano para encerrar um sistema que proibia a entrada de voos com passageiros infectados com o vírus da Covid-19, informou a Bloomberg News nesta sexta-feira, citando pessoas familiarizadas com o assunto.

Na quarta-feira, autoridades chinesas já haviam prometido priorizar o crescimento e prosseguir com reformas, o que ajudou a impulsionar a esperança de que Pequim afrouxará algumas de suas rígidas medidas contra a doença.

A notícia impulsionou o apetite por risco global, que “deve transbordar para o Brasil”, disse em publicação no Twitter Jerson Zanlorenzi Jr., responsável pela mesa de ações e derivativos do BTG Pactual.

Os preços do petróleo saltavam mais de 4% no dia, enquanto outras commodities importantes, como o minério de ferro, também disparavam. Isso impulsionava várias moedas sensíveis a esse tipo de produto, como dólar australiano e rand sul-africano, que ganhavam mais de 2% nesta sessão.

Investidores também digeriam nesta dados sobre a criação de postos de trabalho fora do setor agrícola dos Estados Unidos, que superaram a expectativa, embora um aumento da taxa de desemprego para 3,7% sugira algum afrouxamento nas condições do mercado de trabalho.

“Eu entendo que, por mais que a criação de vagas tenha vindo melhor, o banco central norte-mericano olha para o ritmo de ganhos salariais, que é o que está bem relacionado com a inflação”, disse Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, destacando que esse dado veio próximo da expectativa dos mercados.

Num geral, ele acredita que os dados de emprego estão em linha com a atual postura de política monetária do Federal Reserve e não terão grande impacto sobre as expectativas para a próxima reunião do banco central, em dezembro.

Enquanto isso, no Brasil, “o pós-eleição tem sido marcado por bom desempenho dos ativos, muito ajudados pelo fluxo dos estrangeiros”, escreveu Dan Kawa, CIO da Tag Investimentos.

Nos três pregões completos desde o resultado das eleições, o dólar acumula queda de 3,40% frente ao real, o que alguns investidores têm atribuído à visão benigna de agentes estrangeiros sobre a agenda de Lula, muito mais alinhada à governança ambiental, social e corporativa (ESG, na sigla em inglês) do que a do atual presidente Jair Bolsonaro (PL).

Também tem sido motivo de alívio a perspectiva de uma transição de poder relativamente tranquila, bem como o fim dos bloqueios de rodovias decorrentes de protestos de manifestantes bolsonaristas descontentes com o resultado da eleição presidencial.