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Dólar tem quarta alta seguida e vai a R$ 5,14

Lucas Hirata

Mesmo com um alívio pontual vindo do exterior durante a tarde, o dólar comercial fechou em firme alta nesta segunda-feira em um movimento de forte correção após cair abaixo de R$ 5 na semana passada. Por aqui, a moeda americana engatou sua quarta alta consecutiva com um avanço diário de 2% e voltou a ser negociada na marca de R$ 5,14 – maior nível desde o começo do mês.

O dólar comercial fechou com valorização de 2,00%, aos R$ 5,1421, depois de tocar R$ 5,2258 na máxima do dia. Esse é o maior nível intradiário e fechamento desde 2 de junho, quando tocou R$ 5,3376 durante a sessão e terminou cotado a R$ 5,2116. Com o salto do dólar por aqui, o real foi, de longe, a moeda que mais se desvalorizou em comparação com as divisas mais negociados do mundo. O segundo pior desempenho foi do rand sul-africano, que perdeu apenas 0,33% contra o dólar hoje.

O que evitou um resultado ainda pior foi o anúncio do Federal Reserve de que comprará bonds corporativos individuais para ajudar a economia. Por outro lado, o clima ainda segue de cautela.

O principal catalisador do movimento durante boa parte da sessão foi a preocupação com uma nova onda de contágio da covid-19, que ameaça as expectativas mais otimistas sobre o ritmo de recuperação da economia dos Estados Unidos. Nos últimos dias, foram registrados casos crescentes da doença nos EUA (Arizona, Califórnia, Flórida e Texas), bem como um novo surto em Pequim (mais de 80 casos do no fim de semana, depois de passar sete semanas sem um único caso novo) e em Tóquio (maior número diário de casos novos, 47, desde 5 de maio).

“Tal cenário esvazia, pelo menos por enquanto, as apostas mais otimistas no âmbito da recuperação da atividade global - sentimento que vinha embasando, em conjunto com as trilionárias injeções de estímulos pelos principais governos e seus bancos centrais, o impressionante rali de recuperação visto até a última segunda-feira, 8 de junho”, explica o operador Cleber Alessie Machado Neto, da H.Commcor.

Para o economista Silvio Campos Neto, da Tendências, as perdas dos ativos brasileiros hoje são muito direcionadas pelo risco de nova onda de contágio nos EUA e na China. “ O mercado exagerou na recuperação talvez entendendo que [as economias] superariam rapidamente os impactos da pandemia e a própria pandemia. Tem uma correção, e agora com o risco de vermos novas ondas de casos. E isso prejudica a recuperação da economia”, explica o profissional.

O salto do dólar também ocorre poucos dias antes da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, o que também adiciona pressão no câmbio, na avaliação de alguns analistas. Praticamente unânime, a expectativa no mercado é de uma nova redução de 0,75 ponto percentual da Selic, de 3,00% para 2,25%, no anúncio de quarta-feira. “Apesar do consenso, é mais uma queda da Selic e, com a aversão a risco crescendo, o real apanha mais”, diz Joaquim Kokudai, gestor na JPP Capital, ao lembrar que até semana passada a moeda local havia conseguido tirar boa parte da diferença no ano contra outros emergentes.

Kiyoshi Ota/Bloomberg