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Dólar tem pouca alteração ante real em dia de Ptax; investidores monitoram cenário político e fiscal

Luana Maria Benedito
·3 minuto de leitura
Dólar tem pouca alteração ante real com investidores monitorando cenário político e fiscal

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar era negociado com pouca alteração contra o real nesta quarta-feira, num final de trimestre protagonizado pela trama política doméstica após mudanças nas Forças Armadas e em vários ministérios, com os investidores acompanhando com cautela as perspectivas fiscais para o Brasil.

Em dia de fechamento da Ptax de fim de mês, às 10:26, o dólar avançava 0,06%, a 5,7620 reais na venda. O contrato mais negociado de dólar futuro tinha queda de 0,29%, a 5,7585 reais.

"Hoje tem a 'guerra' da formação da Ptax de virada de mês, então o dia deve contar com muita volatilidade", disse à Reuters Vanei Nagem, responsável pela mesa de câmbio da Terra Investimentos. Segundo ele, em meio à briga entre comprados e vendidos, ainda é cedo demais para dizer em que patamar ficará a taxa.

Enquanto isso, disse Nagem, os investidores seguem acompanhando com cautela a "delicada" situação política do país.

Os últimos dois dias contaram com mudanças nas Forças Armadas e trocas de ministros pelo presidente Jair Bolsonaro. Embora avaliem que a decisão de rearranjar os ministérios melhora o clima do governo com o Congresso e traz certa segurança ao chefe do Executivo, essa tranquilidade é momentânea, sutil, e pode sofrer mudanças a depender da conjuntura, disseram parlamentares.

Em nota, a Genial Investimentos disse que "a reforma ministerial pode ajudar na relação entre o Legislativo e o Executivo, mas a incerteza política impõe prêmio na parte longa da curva de juros e fragiliza a moeda doméstica", destacando as incertezas representadas pelo Orçamento de 2021.

A lei orçamentária aprovada pelo Congresso na semana passada foi chamada por técnicos do governo e economistas de "contabilidade criativa", com direito a reestimativa irreal de despesas, uma pedalada fiscal e parâmetros econômicos defasados, que demandariam cortes draconianos para evitar o descumprimento das regras fiscais.

Segundo o secretário do Tesouro, Bruno Funchal, o governo pode vetá-la parcial ou integralmente. Ele afirmou que é dever do Tesouro diagnosticar o problema gerado pelas mudanças no Orçamento de "forma correta" para apontar soluções, e afirmou que essa discussão está em curso. "Será necessária boa articulação política com o Legislativo para executar essas mudanças", disse a Genial Investimentos.

O dólar acumula no mês de março avanço de cerca de 2,8% contra o real, e caminhava para fechar o primeiro trimestre de 2021 com ganho de aproximadamente 10%, deixando a moeda brasileira entre as divisas com pior desempenho frente à moeda norte-americana até agora no ano.

Além das incertezas fiscais persistentes, que há meses vêm pressionando os mercados domésticos, a trama política imprevisível e o recrudescimento da pandemia de Covid-19 no Brasil têm sido citados por especialistas como fatores de impulso para o dólar recentemente.

O Brasil registrou na terça-feira um novo recorde de mortes por Covid-19 em um único dia, ao contabilizar mais 3.780 óbitos, cifra que eleva o total de vítimas fatais da doença no país a 317.646, informou o Ministério da Saúde.

Vários Estados e municípios brasileiros estão sob restrições mais rígidas de combate ao vírus devido a sua forte disseminação, o que levantava temores entre os investidores sobre as perspectivas de uma retomada econômica.

Na véspera, o dólar spot fechou em queda de 0,16%, a 5,7588 reais na venda.

Nesta quarta-feira, o Banco Central fará leilão de swap tradicional para rolagem de até 16 mil contratos com vencimento em dezembro de 2021 e abril de 2022.