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Dólar tem nova alta semanal com piora da percepção sobre América Latina

Marcelo Osakabe

Moeda fechou cotada a R$ 4,1927, segundo maior valor de fechamento da história do Plano Real O dólar comercial encerrou em leve alta hoje, mais uma vez repercutindo o mal estar do investidor estrangeiro com a situação política de países vizinhos. No fim do dia, a moeda americana era cotada a R$ 4,1927, alta de 0,17%. Na semana, o dólar comercial acumulou um ganho de 0,64%.

Com isso, o dólar anota o segundo maior valor de fechamento da história do Plano Real, ainda abaixo dos R$ 4,1952 registrados em 13 de setembro do ano passado.

A tensão com os vizinhos da região latino-americana ofuscou a alta maior que o esperado do IBC-Br de setembro, que levou a moeda americana a bater R$ 4,16 no começo do dia. A perspectiva de um crescimento econômico mais forte pode levar o Banco Central a moderar os cortes da Selic, um dos principais fatores de pressão para o real nos últimos meses.

Turbulência na América Latina deixa investidor apreensivo

O dia, no entanto, foi relativamente parado, uma vez que a véspera de feriado no Brasil reduziu o volume de negócios, de R$ 64 bilhões para o contrato futuro mais líquido, de dezembro, abaixo da média de R$ 86 bilhões dos últimos cinco dias.

Luciano Rostagno, estrategista-chefe de câmbio do Mizuho no Brasil, nota ainda que uma série de dados piores que o esperado na China ajudaram a dar o tom do dia para os ativos de risco como um todo. “Os números indicam a possibilidade de uma desaceleração mais pronunciada da economia e sinaliza que a guerra comercial com os EUA tem gerado impacto no país”, diz.

Segundo dados do governo chinês, as vendas no varejo cresceram 4,7% no ano em outubro, contra expectativa de 5,2%. Produção industrial e investimentos em ativos urbanos também ficaram abaixo do esperado.

Resta saber se o risco de contágio da região continuará pairando sobre a moeda brasileira.

Um dos destaques negativos da semana, o peso chileno teve uma sessão relativamente mais calma hoje, após o BC local anunciar, na véspera, que irá ofertar swaps no mercado. Ainda assim, a moeda chilena encerrou com desvalorização próxima de 8% contra o dólar.

Para o Commerzbank, a Selic nas mínimas históricas torna a moeda brasileira mais vulnerável a momentos de aversão ao risco no mundo. Em relatório, analistas do banco lembram que países com os chamados “déficits gêmeos” — fiscal e de transações correntes — continuam sendo vistos com reticências por participantes dos mercados.

“Apesar da melhora [fiscal], a situação do Brasil claramente continua no vermelho, com déficit equivalente a 6,3% do PIB. Caso a taxa de juros real continue caindo, isso deve elevar a vulnerabilidade da moeda a choques externos”, diz o banco alemão.

Por outro lado, a perspectiva de retomada do crescimento econômico com inflação controlada e as reformas levadas pelo governo brasileiro devem permitir que o real volte a se valorizar no médio prazo. O Commerzbank manteve a projeção do câmbio para o fim do ano em R$ 4,10 e alterou a expectativa para o fim de 2020 de R$ 3,70 para R$ 3,80.