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Dólar tem nova alta e bate R$ 4,25

Marcelo Osakabe

A alta poderia ser maior caso não fosse uma nova intervenção do Banco Central O dólar comercial voltou a subir nesta quarta-feira, influenciado por um comportamento mais amplo da moeda americana no exterior após dados melhores que o esperado dos Estados Unidos e também pelo ambiente conturbado da América Latina, que continua penalizando as divisas da região.

A alta poderia ser maior caso não fosse uma nova intervenção do Banco Central no mercado à vista. Anunciado no início da tarde, o leilão rapidamente fez o dólar perder os R$ 4,27 e passar a operar em um patamar menor, onde permaneceu durante o resto do pregão até encerrar em R$ 4,2584, alta de 0,45%. Como no pregão de ontem, o nível representa uma nova máxima histórica do Plano Real.

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Lá fora, o dia foi de dólar forte após a divulgação do PIB dos EUA no terceiro trimestre, que cresceu 2,1% na base anual, superando a expectativa de 1,9% dos economistas.

Houve também surpresa para cima nos dados de encomendas de bens duráveis, que cresceram 0,6% na margem em outubro, contra projeção de -1,0%.

Os indicadores reforçam a ideia de que os EUA continua com uma economia saudável, o que dá força à moeda americana, que avançou contra 24 das 33 divisas mais líquidas do mundo.

O destaque do pregão, como em outros dias do mês, voltou a ser as moedas latino-americanas. No horário de fechamento, o dólar operava em alta de 2,47% contra o peso chileno e 0,84% ante o peso colombiano. Ambos os países vivem um conturbado momento político.

Embora o real não tenha sido destaque negativo entre as moedas globais, a intervenção do BC demonstrou o empenho da autoridade monetária em se fazer presente no mercado. Entre terça e quarta-feira, dois dirigentes, o presidente Roberto Campos e o diretor de política monetária, Bruno Serra, reiteraram que a instituição poderia voltar a intervir caso houve sinal de disfuncionalidade.

“Se o mercado não funcionar adequadamente - seja com 'gap' ou falta de liquidez – vamos intervir de novo", disse Serra mais cedo, em evento em São Paulo.

Serra disse ainda que o BC não persegue um nível de câmbio e que as intervenções de ontem se deram porque se observou que o mercado não estava funcional, especulando em cima de "highlights e declarações, não necessariamente com fundamento".

Ainda assim, o fato de que a autoridade monetária ter entrado novamente em R$ 4,27, patamar que coincide com aquele em que foram anunciados os dois certames de ontem, o que passa a sensação de que esse pode ser um 'teto informal' para o dólar, diz um participante do mercado.