Dólar tem maior queda diária desde 3 de agosto de 2012

A volta do feriado de Natal foi agitada nesta quarta-feira (26) no mercado de câmbio. Com três leilões quase seguidos - um de linha e dois inesperados de swap cambial -, o Banco Central conduziu o dólar para o patamar de R$ 2,05. Após abrir em queda, a R$ 2,071 (-0,29%), a moeda à vista no balcão fechou a R$ 2,0550, em baixa de 1,06%. Trata-se da maior variação negativa diária desde 3 de agosto de 2012 (quando o dólar caiu 1,07%) e do menor preço da moeda desde 12 de novembro (quando terminou a R$ 2,0520). Na BM&FBovespa, o dólar à vista encerrou a R$ 2,0515, em queda de 1,18%.

Para amanhã, a autoridade monetária já anunciou outra oferta de linha, das 9h30 às 9h35, de até US$ 2 bilhões, para recompra em 1º de fevereiro de 2013. Neste caso, a taxa de venda dos dólares será de R$ 2,0569 e a taxa de corte para recompra, de R$ 2,068310 ou valor mais favorável ao BC. As intervenções praticamente diárias no mercado de câmbio neste mês garantiram até esta quarta uma queda acumulada do dólar de 3,39%. Em 30 de novembro, a moeda estava em R$ 2,1270.

Preocupados com o aumento esperado da demanda por dólares no último mês do ano, para operações estratégicas de proteção (hedge) ou para remessas corporativas de lucros e dividendos ao exterior, e com o impacto de uma desvalorização do real sobre a inflação, o BC e o governo vêm agindo preventivamente.

Desde o começo do mês foram ampliadas as declarações de autoridades em defesa de um câmbio mais equilibrado que não ameace a inflação, mas que favoreça a indústria, os exportadores e os investimentos. A fim de evitar que o fluxo comercial negativo se amplie, o BC e a Fazenda também reverteram pelo menos três medidas cambiais que restringiam os ingressos de recursos estrangeiros no País. Além disso, foram intensificados os leilões de linha e de swap cambial.

Os agentes financeiros já esperavam desde sexta-feira a realização nesta quarta de uma oferta de linha de até US$ 2 bilhões para recompra em 1º de março de 2013. Mas se surpreenderam com o anúncio, na sequência, de dois leilões de swap cambial tradicional - equivalente à venda de dólar no mercado futuro. O BC não fazia esse tipo de leilão desde 3 de dezembro.

A oferta total de swap cambial nesta quarta foi de até US$ 4 bilhões (80 mil contratos), mas foram vendidos um total de cerca de US$ 1,842 bilhão (36.900 contratos).

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