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Dólar tem leve queda, mas fecha perto de R$ 4,20

Marcelo Osakabe

Após um pregão volátil mas com pouca amplitude nas variações de preço, o dólar comercial encerrou a R$ 4,1988 Após um pregão volátil mas com pouca amplitude nas variações de preço, o dólar comercial encerrou em leve queda, digerindo as declarações do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto e o ambiente exterior ainda difícil para moedas da América Latina.

No encerramento dos negócios, o dólar era negociado a R$ 4,1988, queda de 0,17%. Na máxima, chegou aos R$ 4,2195, enquanto na mínima, foi aos R$ 4,1869. O desempenho não destoa do observado entre os pares emergentes, cujo dia foi misto. No mesmo horário, o dólar avançava 0,38% contra o peso mexicano e 1,42% ante o peso chileno, mas cedia 0,59% ante a lira turca e 0,09 na comparação com o peso colombiano.

Ontem, a moeda americana superou a máxima histórica de fechamento do plano Real, aos R$ 4,2060, trazendo novamente à baila especulações sobre uma possível intervenção do Banco Central.

Daniel Weeks, o economista-chefe da Guide, avalia que ainda é cedo para projetar algo do tipo. Em sua percepção, ainda que o BC deve manter o comportamento de só intervir no mercado cambial quando houver disfuncionalidade. "E hoje não tem nada de anormal, a princípio. Se o dólar subir a R$ 4,50 amanhã, isso é um problema, mas se andar isso em seis meses, não."

O presidente do BC também fez comentários nesse sentido. Em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Campos Neto reafirmou que não há mudanças na política cambial da instituição. O dirigente salientou ainda que a desvalorização recente da moeda brasileira se dá por uma série de questões, como a frustração recente com a cessão onerosa.

Kiyoshi Ota/Bloomberg

Além disso, a depreciação do câmbio não resultou na piora da percepção de risco do Brasil nem da deterioração das expectativas de inflação, continuou o dirigente, ressaltando que está atento a esses movimentos. "Se por alguma razão, uma desvalorização contínua começar a afetar o canal de expectativa de inflação, aí é outra história. Nós vamos ter que fazer uma atuação diferente."

Em um indício de que o rompimento do nível histórico não afetou a imagem do Brasil, o comportamento do spread dos contratos de Credit Default Swap (CDS) de cinco anos do Brasil, se manteve inalterado em 125 pontos de ontem para hoje. Desde a última segunda-feira, 4, no entanto, a variação foi de 10 pontos, uma alta de 9%. O montante está em linha com a oscilação de outros países da região, como México (10%) e Colômbia (12%), e abaixo da do Chile (20%).

Mesmo o ruído causado pelo cancelamento do leilão no mercado à vista conjugado com oferta de swap reverso acabou não afetando a negociação do dia. Segundo a assessoria de imprensa do BC, o motivo foi o feriado de amanhã em São Paulo, que atrapalharia a liquidação da operação. O BC informou também que não irá realizar operações na quarta-feira.