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Dólar dispara 2% e supera R$5,20 após dado de inflação dos EUA turbinar apostas em Fed agressivo

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar abandonou perdas de mais cedo e disparava nesta terça-feira, indo acima de 5,20 reais depois que dados de inflação norte-americanos piores do que o esperado reforçaram apostas na manutenção de postura de política monetária agressiva por parte do Federal Reserve.

O índice de preços ao consumidor norte-americano subiu 0,1% no mês passado, após ficar inalterado em julho, informou o Departamento do Trabalho dos EUA nesta terça-feira. Economistas consultados pela Reuters previam que o índice cairia 0,1%.

Sinal de persistência das pressões inflacionárias, o núcleo da inflação, que exclui os componentes voláteis de alimentos e energia, subiu 0,6% em agosto, após avançar 0,3% em julho. O núcleo do índice de preços ao consumidor teve alta de 6,3% nos 12 meses até agosto, acelerando ante alta de 5,9% em julho.

Às 10:13 (de Brasília), na esteira dos dados, o dólar à vista avançava 2,03%, a 5,2020 reais na venda, abandonando perdas iniciais. No pico do dia, a moeda norte-americana saltou 2,16%, a 5,2084 reais, mais de 11 centavos acima do fechamento da véspera.

Na B3, às 10:13 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 2,02%, a 5,2215 reais.

No exterior, o índice do dólar contra uma cesta de moedas fortes saltava mais de 1%, também numa reversão de perdas iniciais e aproximando-se de seus maiores níveis em 20 anos. Sinal da aversão a risco generalizada nos mercados financeiros globais, os futuros de ações dos Estados Unidos passaram a território profundamente negativo na esteira do relatório de inflação. [.NPT]

"A expectativa de que o CPI (índice de preços ao consumidor) viesse abaixo da expectativa foi frustrada duas vezes. Muita cautela com o cenário que tem ainda muita incerteza", disse em publicação no Twitter Rafaela Vitoria, economista-chefe do Banco Inter.

Já Arthur Mota, da equipe de estratégia e macro do BTG Pactual, escreveu que o dado desta manhã "ajudou muito o trabalho do Fed na próxima quarta", quando o banco central dos EUA se reunirá para definir sua política monetária.

A autoridade monetária vem combatendo a inflação na maior economia do mundo há meses, aumentou os custos dos empréstimos em 2,25 pontos percentuais desde março e deve realizar um terceiro aumento consecutivo de 0,75 ponto percentual em sua taxa de juros no próximo dia 21. Nesta manhã, cresciam cada vez mais as apostas numa extensão desse ritmo de aperto para além de setembro.

Juros mais altos na maior economia do mundo, além de redirecionarem recursos para o seguro mercado de renda fixa norte-americano, penalizando ativos mais arriscados, têm levantado temores de recessão, conforme o Fed busca frear os gastos de famílias e empresas de forma a controlar a inflação.

Na segunda-feira, o dólar negociado no mercado interbancário havia caído 0,93% contra a divisa brasileira, a 5,0983 reais, menor nível para encerramento desde 29 de agosto (5,0330 reais).