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Dólar tem leve alta com ajuste e de olho em Selic menor

Marcelo Osakabe

No encerramento da sessão, a moeda americana subiu 0,29%, cotada a R$ 4,1306 Em um dia sem agenda relevante tanto no exterior quanto no Brasil, o dólar comercial encerrou em leve alta, acompanhando o noticiário e se ajustando a um cenário que contempla, cada vez mais, a perspectiva de um ciclo de cortes mais intenso da Selic.

No encerramento da sessão, a moeda americana subiu 0,29%, cotada a R$ 4,1306 — longe tanto da mínima, de R$ 4,1171, quanto da máxima, de R$ 4,1515. O comportamento dos pares emergentes e ligados à commodities não teve sinal único. No horário acima, a moeda americana avançava 1,14% contra a lira turca e 0,14% frente ao peso colombiano, mas cedia 0,29% frente ao dólar neozelandês e 0,15% ante o rand sul-africano.

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Juro mais baixo veio para ficar, afirma Ilan

Segundo Victor Beyruti, economista da Guide, o ajuste em relação à sexta-feira, quando registrou alta de 1,23%, e o forte tombo de mais de 2% do peso chileno também contribuíram, ainda que marginalmente, para o comportamento do real e de outras divisas do cone sul. No início da tarde, quatro das seis moedas que mais perdiam contra o dólar no pregão pregão eram da região.

Daniel Acker/Bloomberg

No país andino, o número de mortes subiu para onze nesta segunda-feira após as ondas de protestos e confrontos com a polícia local desde o fim de semana.

No entanto, continua Beyruti, a dinâmica que mais parece explicar o comportamento do câmbio continua sendo o do diferencial de juros, que tem expectativa de contração com novos cortes esperados pela Selic até o final do ano. As taxas dos DIs, inclusive, se mantiveram próximos dos ajustes do pregão anterior, mesmo com a alta do dólar e as preocupações sobre o Chile no radar.

Segundo o Bradesco BBI, o juro real de três anos atingiu a marca de 1,48%, o menor nível da história. Já a mediana das expectativas para a Selic no final do ano coletadas pela pesquisa Focus passou de 4,75% para 4,50%.

Em entrevista concedida ao Valor, o ex-presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, avaliou que a nova realidade de juros mais baixos deve manter o câmbio depreciado nos próximos anos.

“A nova estrutura de juros no Brasil, que veio para ficar, tem implicações na nossa taxa de câmbio de forma estrutural. Antes, nós tínhamos uma moeda que tinha o que o mercado chama de “carry” ou, em português, um juro que atraía recursos de uma forma mais permanente, mas os recursos eram muitas vezes de portfólio, de forma que as empresas que achavam caro se financiar aqui e portanto se financiavam lá fora”, diz Goldfajn. “Esse é um mundo em que a arbitragem daquele tamanho não existe mais.”

Paralelamente ao cenário de Selic menor, o mercado de câmbio também acompanhou a novela do Brexit, que teve a votação mais uma vez adiada, desta vez para amanhã. Além disso, houve também espaço para as reviravoltas no racha do PSL.

No final da manhã, o tema parecia caminhar para um entendimento após o partido anunciar o deputado Eduardo Bolsonaro (SP) como novo líder da sigla na Casa, em substituição a Delegado Waldir (GO). No entanto, a ala bivarista se revoltou com a indicação do filho do presidente e acusou o outro lado de quebrar um acordo pela indicação de uma “terceira via”. Os bivaristas trabalham, agora, em uma nova lista de assinaturas para tentar destituir Eduardo do cargo.