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Dólar tem forte alta na abertura com cena política e exterior no radar

Lucas Hirata

Busca por proteção no exterior divide espaço na pauta dos agentes financeiros com noticiário político brasileiro Em um dia de noticiário político carregado e desvalorização de moedas emergentes, a busca por proteção do dólar domina o mercado brasileiro em um movimento que leva a cotação para R$ 5,37. De acordo com analistas e gestores, o uso do “hedge” (proteção) no câmbio evita que outros ativos – como as ações e os juros futuros, que têm teses mais firmes de investimento – sejam abalados de forma mais intensa pelos riscos no radar.

Por volta das 11h40, o dólar comercial tinha alta de 1,58%, aos R$ 5,3440, depois de tocar R$ 5,3765 na máxima do dia. Com isso, o real tem o pior desempenho da sessão com uma desvalorização superior a perda de cerca de 1% do rand sul-africano, do peso chileno e do peso mexicano, por exemplo.

Outro segmento que acaba sofrendo com a pressão hoje é o de juros futuros de longo prazo. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, por exemplo sobe a 6,71% ante 6,62% no ajuste anterior. Já as taxas mais curtas até caem enquanto o Ibovespa – principal índice de ações do país – até ensaia uma recuperação, com leve alta. No horário acima, o índice subia 1,76%, aos R$ 5,3535.

“A bolsa tem o lastro da liquidez elevada e dos juros muito baixos, o que evita um estrago maior, por ora. Não posso afirmar com certeza, mas acho que os locais estão segurando a onda, talvez porque não tem mais para onde ir, o CDI só é opção para preservar capital. Ainda assim o viés para hoje é negativo”, afirma o economista Silvio Campos Neto, da Tendências.

O movimento hoje mostra que o investidor “não quer largar as posições mais otimistas em bolsa e juros, que parecem casos muito sólidos neste momento em que a pandemia está sendo controlada e os estímulos monetários estão no máximo”, afirma um experiente gestor do mercado. Assim, a alternativa é buscar a proteção do dólar, não só no Brasil, mas no mundo emergente, já que existe um movimento amplo de queda de juros nessas praças.

Por aqui, por exemplo, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou ontem um corte de 0,75 ponto percentual da Selic, a 2,25% e deixou as portas abertas para novos ajustes caso haja necessidade. Isso também reduz o custo de hedge no Brasil e o fato de mercado ter bastante liquidez encoraja a montagem de posições de proteção por aqui.

Ainda assim, analistas apontam que os riscos no quadro político estão presente, após a prisão de Fabrício Queiroz, ex-assessor e ex-motorista de Flavio Bolsonaro. O tema repercute nas mesas de operação e, por ora, parece instigar cautela no mercado, mas sem um estresse exacerbado enquanto os agentes ainda esperam mais informações do caso, principalmente como será a resposta do presidente Jair Bolsonaro.

Um dos riscos, diz um profissional, é que o tema afete a popularidade do presidente e isso dificulte no futuro o avanço da agenda de reformas ou deixe o governo mais vulnerável a pressões populistas no Congresso. Por outro lado, ainda é cedo para entender como o caso pode se desenrolar e até que ponto o entorno do presidente o blindará, diz outro profissional.

“A prisão muda um pouco o jogo, ainda mais pelo momento de forte pressão do judiciário sobre o governo. A tendência é de acirramento nessas tensões institucionais e isso não é bom para os mercados”, alerta Campos Neto, da Tendências.

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