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Dólar tem alta moderada após invasões em Brasília com confiança do mercado nas instituições

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 24.01.2019 - Still de mãos segurando cédulas de dólar. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 24.01.2019 - Still de mãos segurando cédulas de dólar. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar tinha alta apenas moderada frente ao real nesta segunda-feira (9), mesmo depois que apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro invadiram a sede dos Três Poderes em Brasília, com investidores citando a solidez das instituições brasileiras como uma âncora para a confiança do mercado no país.

Às 9h15 (horário de Brasília), o dólar à vista avançava 0,52%, a R$ 5,2638 na venda. Na B3, o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,56%, a R$ 5,2895.

Às 9h11, o Ibovespa futuro com vencimento mais curto, para 15 de fevereiro, recuava 0,88%, a 109.650 pontos.

Analistas de investimentos ouvidos pela Folha apontam que os atos de vandalismo dão uma nova dimensão da tensão política em curso no país e tendem a afugentar o capital estrangeiro. Para os representantes do mercado financeiro, ainda é preciso "cautela e observação", mas é inegável que a imagem que fica para os investidores é negativa.

"O investidor não está acostumado a esse tipo de evento, de natureza política -e nem nós estamos, na verdade", Nicolas Borsoi, economista-chefe da Nova Futura Investimentos. "Passa uma imagem muito ruim da situação do país e pode afugentar o investidor estrangeiro, que é quem investe na bolsa."

"É negativo para os ativos brasileiros, porque significa que e existe algo de muito errado na política, que não encontrou alternativas pacíficas e deixou que o cenário chegasse a este nível", afirma Borsoi.

"Isso aumenta a incerteza política, é preciso observar qual será a reação do governo", diz ele. "Os investidores devem exigir um prêmio de risco maior, haverá uma reação negativa do mercado nesta segunda [9]", diz Borsoi, apostando que os investidores devem "correr para o dólar."

"Na bolsa, todos os setores devem ser afetados. É um risco sistemático, que afeta em especial os ativos mais ligados ao ciclo doméstico, como setor imobiliário, varejo, locadoras e bancos", afirma.

Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos, concorda. "Quando se pensa em Brasil, um dos argumentos para atrair capital é termos uma relativa estabilidade em relação a outros mercados emergentes", diz. "Agora bolsa e dólar vão nos dizer o quanto eventos como o deste domingo comprometem esta imagem."

Arbetman lembra que o preço de uma ação é calculado pelo fluxo de caixa esperado sobre a taxa de juros. "Tendemos a ver a bolsa precificando o aumento do nível de risco", diz ele, ressaltando, no entanto, que as invasões de domingo não interferem na dinâmica operacional das companhias. "Vamos ter impactos negativos, mas não sabemos a durabilidade deles", afirma.

Na opinião de Piter Carvalho, economista-chefe da Valor Investimentos, o momento é de observação para ver como o governo vai agir para controlar estas manifestações. "Há um temor que elas possam se espalhar por todo o país, inclusive com o bloqueio em rodovias, repetindo as cenas que nós vimos nas eleições", afirma.

"Se o movimento ganhar força e bloquear as estradas, isso trava a economia e gera impactos negativos em diversas empresas, que dependem principalmente das rodovias", diz.

Na sexta-feira (6), o dólar fechou em baixa e não só zerou a valorização acumulada durante a semana, como passou a apresentar queda em relação ao real na primeira semana de 2023. Já a Bolsa ficou mais perto de zerar as perdas acumuladas neste início de ano.

A melhora do mercado brasileiro aconteceu depois do discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na abertura da primeira reunião ministerial do atual governo, e da divulgação do relatório de emprego nos Estados Unidos.

O dólar comercial à vista caiu 2,13% nesta sexta-feira (6), a R$ 5,2370 na venda. Na semana, a moeda americana recuou 0,7% em relação ao real. O Ibovespa fechou em alta de 1,23%, aos 108.963 pontos. O índice encerrou 2022 em 109.734 pontos.

Os juros também apresentaram queda. Nos contratos com vencimento em 2024, a taxa recuou de 13,70% no fechamento da véspera para 13,59%. Os vencimentos mais longos encerraram o dia com juros abaixo de 13%. Para 2025, as taxas saíram de 13,12% na véspera para 12,85%. E no vencimento de 2027, a queda foi de 13,05% para 12,79%.