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Dólar devolve perdas nesta 6ª, mas deve fechar semana com queda expressiva

Luana Maria Benedito
·3 minuto de leitura
Dólar tem 8ª queda diária consecutiva; moeda deve fechar semana com perdas expressivas

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar devolvia as perdas registradas no início do pregão para trabalhar em leve alta contra o real nesta sexta-feira, mas ainda caminhava para fechar a semana -- marcada pela novela do Orçamento, discurso do presidente Jair Bolsonaro na Cúpula do Clima e exterior benigno -- com queda expressiva.

Às 10:39, o dólar avançava 0,08%, a 5,4600 reais na venda, depois de ter caído a 5,4248 reais na mínima do pregão, seu menor patamar desde 25 de fevereiro deste ano.

O principal contrato de dólar futuro ganhava 0,28%, a 5,467 reais.

O movimento desta manhã vem após o dólar fechar sete pregões consecutivos em queda contra o real, a série mais longa de perdas desde dezembro de 2016.

Embora tenha recuperado algum terreno nesta manhã, a moeda norte-americana ainda caminhava para registrar perdas de aproximadamente 2,4% em relação ao fechamento da última sexta-feira.

Analistas da Genial Investimentos disseram em nota que "a definição do Orçamento deste ano, a mudança de tom de Bolsonaro na Cúpula do Clima e o arrefecimento das taxas longas americanas deram espaço para o fortalecimento da moeda doméstica nos últimos dias".

Após semanas de impasse, o presidente Jair Bolsonaro sancionou na quinta-feira a lei orçamentária de 2021. A lei contou com um corte de 19,8 bilhões de reais em dotações orçamentárias e um veto a autorização para a criação de cargos na Política Militar e no Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, bem como a edição de um decreto para promover um bloqueio adicional de mais 9 bilhões de reais nos recursos do Orçamento, medida necessária, segundo o governo, para garantir o cumprimento do teto de gastos.

"Após muita novela e muito atraso, o desfecho sobre o Orçamento pode ser considerado relativamente positivo, por acomodar todos os interesses e ainda respeitar as regras fiscais vigentes – ainda que o respeito à meta primária tenha sido 'pró-forma', com 120 bilhões de reais ficando fora da conta", opinaram analistas da Levante Investimentos em nota.

Mas "(um risco) que não pode ser ignorado é o de 'shutdown' da máquina pública federal, com as despesas discricionárias sendo perigosamente levadas ao mínimo histórico após os novos cortes feitos quando da sanção do Orçamento."

Também na quinta-feira, Bolsonaro participou da Cúpula do Dia da Terra com outros líderes internacionais, e trouxe algum alívio para os investidores ao utilizar um tom mais moderado ao falar sobre a postura do Brasil em relação à preservação ambiental, embora tenha contado, como conquistas do país no combate a mudanças climáticas, feitos de governos anteriores e que não se mantiveram em seu governo.

Enquanto isso, no exterior, os rendimentos dos Treasuries de dez anos têm sido negociados em uma faixa estreita nos últimos dias, e seguem bem abaixo de máximas pré-pandêmicas alcançadas no final de março. O arrefecimento dos juros norte-americanos ante esses picos tem sido citado por analistas como um fator de incentivo para a queda do dólar frente outras divisas fortes.

Entre outros motivos que poderiam explicar o arrefecimento recente do dólar contra o real, alguns analistas citavam um movimento de ajuste após desvalorizações exageradas da divisa brasileira: "nossas estimativas indicam que os riscos fiscais e o agravamento da pandemia no Brasil frente às economias desenvolvidas têm implicado em uma depreciação excessiva do real frente ao dólar (...)", disse em nota a Genial Investimentos.

Na véspera, o dólar teve queda de 1,67%, a 5,4558 reais na venda.

O Banco Central fará nesta sexta-feira leilão de swap tradicional para rolagem de até 15 mil contratos com vencimento em novembro de 2021 e abril de 2022.