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Dólar supera R$ 4,16 de olho em acordo EUA-China e Selic

Marcelo Osakabe

Moeda americana se fortaleceu pelo terceiro pregão consecutivo contra o real e encerrou no maior patamar em três semanas Incertezas rondando a disputa comercial entre os Estados Unidos e a China e a perspectiva de que os juros caiam mais rapidamente no Brasil do que no exterior voltaram a influenciar o comportamento do câmbio. Como resultado, a moeda americana se fortaleceu pelo terceiro pregão consecutivo contra o real e encerrou no maior patamar em três semanas.

No fim do pregão, o dólar foi negociado a R$ 4,1641, alta de 0,88% e maior nível de fechamento desde 24 de setembro, quando encerrou em R$ 4,1692. O real também voltou a ser a divisa de pior desempenho entre as 33 moedas mais líquidas do mundo, ultrapassando o peso colombiano (0,70%) no fim da tarde.

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Profissionais de mercado notaram que o movimento não teve um catalisador específico para a aceleração vista no fim do dia. Dois fatores teriam ajudado a dar direção à moeda, no entanto. Um deles é a questão comercial: segundo agências de notícias internacionais, o governo chinês teria condicionado a compra de US$ 50 bilhões em produtos agrícolas dos EUA à retirada das tarifas retaliatórias aplicadas desde o início da guerra comercial.

Tomohiro Ohsumi/Bloomberg

A promessa de retomada das compras agrícolas pela China era a única coisa “concreta” que havia emergido dos dois dias de negociação entre os países na semana passada, notam os economistas do Rabobank em relatório. Em troca, os EUA haviam se comprometido apenas a não elevar a alíquota de tarifas sobre US$ 250 bilhões em produtos chineses, medida que estava agendada para entrar em vigor esta semana.

Além disso, continua a pesar a perspectiva de que a Selic mais baixa comprima ainda mais o diferencial de juros com o exterior, reduzindo, assim, a atratividade da moeda brasileira. “Os últimos dados reforçam a perspectiva de novos cortes da Selic no Brasil e isso diminui a atratividade da nossa moeda”, afirma Victor Beyrouti, economista da Guide Investimentos.

Para Roberto Campos, gestor da Absolute Investimentos, pesa ainda a perspectiva de que o fluxo contratado deva permanecer negativo. “Na semana passada, houve algum alívio por causa da antecipação com a entrada de recursos da cessão onerosa [aprovada na Câmara na última quarta-feira]. Esse movimento se esgotou e o fluxo permanece negativo”, avalia o profissional.

Mais cedo, houve algum otimismo com o desenrolar do Brexit, que estaria mais próximo de um desfecho positivo após os britânicos aceitaram imposições da União Europeia a respeito da fronteira entre as duas Irlandas. Essa melhora no sentimento, no entanto, foi limitada por relatos de que a Irlanda do Norte não aceitaria tais condições.

Internamente, o projeto da cessão onerosa passou pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, mas ainda não foi apreciada no plenário da Casa, o que se espera que possa acontecer ainda hoje. Já a disputa entre o presidente Jair Bolsonaro e seu próprio partido, o PSL, parece ainda não refletir sobre o sentimento do investidor, diz Arnaldo Curvello, gestor da Ativa Investimentos. “Não vejo ainda nenhuma possibilidade de o PSL tomar uma atitude revanchista contra Bolsonaro na votação da Previdência”, afirma.