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Dólar volta a subir com preocupação sobre covid-19 no exterior

Marcelo Osakabe
·2 minutos de leitura

Preocupações sobre uma possível segunda onda da covid-19 na Europa mantiveram pressionados os ativos de risco O receio de que as medidas de isolamento social impostas por governos na Europa para conter uma possível segunda onda da covid-19 repercutam negativamente sobre a economia da região e do mundo manteve pressionados os ativos de risco no pregão desta quinta-feira. Com isso, o dólar voltou a se fortalecer frente à maior parte das divisas, desenvolvidas ou emergentes, em um sinal de busca de proteção. No Brasil, a moeda americana encerrou em alta de 0,48%, a R$ 5,6260. Durante a tarde, o dólar chegou a flertar com uma queda, influenciado pela melhora, na margem, dos índices acionários americanos. Segundo o diretor de câmbio da Terra Investimentos, Vanei Nagem, o fato de que o dólar tem operado em um patamar muito pressionado no Brasil nos últimos dias faz com que a moeda encontre dificuldade para avançar de forma mais intensa. Nagem disse ainda que houve uma reação inicial positiva às declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, de que poderia desistir de um imposto sobre transações. A afirmação foi feita, mais cedo, a uma equipe de TV na entrada do ministério, em Brasília. Segundo apurou o Valor, no entanto, Guedes não desistiu de trocar a desoneração da folha por um tributo do tipo e o comentário não deveria ser tomado ao pé da letra. Ainda sobre o cenário doméstico, os agentes também repercutiram o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que cresceu 1,06% em agosto, na comparação dessazonalizada com julho. O resultado ficou abaixo da mediana das projeções colhidas pelo Valor Data, que apontava alta de 1,7%. O dado de julho, por sua vez, foi revisado de +2,15% para +3,71%. No acumulado de 12 meses até agosto, o IBC-Br caiu 3,09%. Para o Goldman Sachs, a revisão de julho mais que compensa a alta menor que o esperado de agosto. Ainda assim, os dados apontam para moderação do ritmo de recuperação. “O ambiente bastante complexo da covid domesticamente, um mercado de trabalho bastante frágil e a retirada de algumas medidas de suporte fiscal devem enfraquecer o ritmo da retomada”, diz o banco em relatório. Os demais pares emergentes registraram perdas, em sua maioria, com destaque para países que também se defrontam com um aumento dos casos, como a Rússia. No horário de fechamento, o dólar subia 0,76% contra a moeda russa, ao passo que avançava 0,34% frente à lira turca e 0,65% ante o rand sul-africano. “Na União Europeia, novas medidas de isolamento ameaçam devolver a região a uma recessão após um breve respiro no verão. Ao mesmo tempo, disputas entre formuladores de políticas monetárias têm adiado a entrada em vigor de medidas de estímulos”, nota o banco holandês ING Pixabay