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Dólar sobe a R$ 5,46 apesar de atuação do BC

Lucas Hirata

O real, novamente, foi a moeda que mais se desvalorizou dentre as 33 divisas mais negociadas do mundo O dólar comercial fechou em forte alta nesta sexta-feira, mesmo com a atuação do Banco Central para acalmar os investidores em um momento de grande volatilidade do dólar.

Hoje, a divisa fechou em alta de 2,34%, aos R$ 5,4609, depois de tocar R$ 5,4930 na máxima do dia. Mais cedo, a disparada do dólar seguiu firme mesmo depois da venda de US$ 502,5 milhões no mercado à vista pelo Banco Central, em sua primeira operação deste tipo desde 1º de junho.

O que deixa o movimento ainda mais notório é o fato de que o real, novamente, foi a moeda que mais se desvalorizou dentre as 33 divisas mais negociadas do mundo. O peso mexicano, segundo pior colocado no ranking, perdeu 1,62% contra o dólar no fim do dia.

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Mercados sofrem com volatilidade e dólar vai a R$ 5,46

A busca por proteção do dólar tem como pano de fundo o aumento de casos da covid-19 nos Estados Unidos e a consequente retomada de medidas de distanciamento social em algumas regiões, abalando a esperança de uma rápida recuperação da maior economia do mundo. Na sexta-feira, o governador do Texas anunciou o restabelecimento de medidas de restrição para conter o avanço da doença.

E se já não bastasse toda a pressão lá de fora, prevalece também um certo incômodo dos agentes locais com uma possível flexibilização do teto de gastos. Na quinta à noite, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, não descartou a possibilidade de rever as condições da lei, que serve de âncora fiscal no país. Maia afirmou que o ideal é que uma eventual revisão ocorra só depois da reforma administrativa do Estado, mas disse que consultará economistas e o governo para discutir se essa mudança poderá ser uma saída para a crise.

Além de todo o contexto, o movimento de alta do dólar também é sustentado pela demanda por proteção para defender posições em outros ativos, como ações. Um dos profissionais ouvidos pelo Valor aponta que os investidores têm comprado ações, devido à ampla liquidez e juros baixos no mundo, mas se resguardam no dólar. Por aqui, isso se aplica até para os estrangeiros, que voltaram a aplicar na bolsa brasileira recentemente. “Com tanta liquidez e juros baixos, o investidor se vê quase sem alternativa e vai para a bolsa. Mas ninguém quer ficar exposto, então busca proteção no dólar”, diz um interlocutor.

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