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Dólar sobe pouco com expectativa por medidas, mas bate recorde

Marcelo Osakabe

Moeda americana operou boa parte do pregão perto da estabilidade e encerrou em leve alta, de 0,11%, aos R$ 4,4860 A perspectiva de ação coordenada de bancos centrais em todo o mundo para amparar os mercados financeiros abriu espaço para uma recuperação parcial dos ativos de risco nesta sessão. No câmbio, isso significou um enfraquecimento amplo do dólar contra a maior parte das divisas emergentes.

Uma das poucas exceções a esse cenário foi o real, que perdeu para o dólar. A moeda americana operou boa parte do pregão perto da estabilidade e encerrou em leve alta, de 0,11%, aos R$ 4,4860, nova máxima nominal de fechamento. A divisa brasileira foi uma das poucas que andou na contramão e se desvalorizou neste pregão.

Para Gabriel Botassini, trader do Bank of China, embora melhor do que nos últimos pregões, o cenário para o real continua sendo negativo, uma vez que o Brasil ainda é um emergente sem nenhuma boa notícia. “A bolsa é sustentada pelo investidor interno, mas o câmbio continua à mercê do exterior. Com a perspectiva de novos cortes de juros por aqui e sem notícia de reforma, o que temos é um cenário inalterado ao que havia [antes da semana passada]."

Uma indicação de que o ambiente continua desafiador vem dos dados de exportações. De acordo com a Secex, a balança comercial melhorou em fevereiro ante igual mês do ano passado, mas o primeiro bimestre teve queda de 69,8% ante o mesmo período de 2019. Segundo os técnicos do órgão, algum efeito do coronavírus já pode ser registrado sobre o resultado e a expectativa é que a epidemia continue afetando as embarcações.

Na arena política, ainda resta saber o resultado da reunião entre o presidente Jair Bolsonaro e Davi Alcolumbre (DEM-AP), presidente do Senado. Mais tarde, Alcolumbre deve se reunir com Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara, e com lideranças do Congresso para discutir os vetos presidenciais em relação ao Orçamento Impositivo, assunto que gerou crise entre os poderes na semana passada. O impasse em relação ao tema levou o governo a adiar o envio das propostas de reforma administrativa ao Legislativo.

Enquanto isso, no exterior, permanece o debate sobre o efetividade da política monetária diante de um choque de oferta como o representado pelo coronavírus. Esta manhã, a OCDE cortou de 2,9% para 2,4% a previsão de crescimento global em 2020. A entidade alertou que o Covid-19 representa o maior perigo desde a crise financeira de 2008 e alertou que, no pior dos cenários, o mundo poderia crescer apenas 1,5%.

Para o Goldman Sachs, o cenário ainda difícil - o banco prevê o mundo escapando por pouco de uma recessão no primeiro semestre - aconselha a se manter perto apenas de moedas emergentes que tenham bom diferencial de juros e baixa volatilidade. “Divisas emergentes ficaram baratas e com um posicionamento mais leve”, diz o banco em relatório. “No entanto, novas liquidações são possíveis ao passo que os investidores ajustam seus portfólios para um perfil cada vez mais defensivo.”

Nos cálculos do banco americano, inclusive, a desvalorização recente do real colocou a moeda perto de patamares parecidos com os vividos em outros momentos de crise, como 2016 e mesmo 2008. A moeda brasileira, assim como o peso chileno e o florim húngaro, precisariam sofre depreciação apenas limitada para chegar a patamares desses anos”, diz o banco americano.

“Por outro lado, um fator comum a essas três moedas é que todas contam com um diferencial de juros pequeno em relação ao exterior. Assim, mesmo esse grupo não estaria imune a novos choques de aversão de risco”, alerta o Goldman Sachs.

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