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Dólar sobe para R$ 4,14 em dia sem dados positivos

Marcelo Osakabe

Investidores ainda seguem repercutindo dados mais fracos relativos à indústria O dólar anotou sua sétima alta em oito sessões nesta segunda-feira, em um dia sem indicadores relevantes ou noticiário de expressão que pudessem guiar o movimento. A forte valorização sem gatilho aparente intrigou participantes de mercado, dando origem a explicações distintas para o movimento.

No encerramento dos negócios, a moeda americana subiu 1,19%, aos R$ 4,1412. A alta do dólar no Brasil foi mais que o dobro da registrada frente ao peso argentino (0,50%), a segunda divisa de pior desempenho do dia. Os demais emergentes operam sem sinal único.

"Acredito que, sem indicadores ou notícias da política, o movimento possa estar sendo feito por conta do dado de produção industrial da semana passada", diz Cristiane Quartaroli, economista do banco Ourinvest. "Dados piores que o esperado aumentam a chance do Banco Central voltar a cortar juros, deixando o retorno do investimento na moeda brasileira menos atrativo."

Para um profissional de Tesouraria que preferiu não ser identificado, o movimento de hoje chega a ser uma surpresa, já que destoa do bom desempenho da bolsa e dos demais pares emergentes. O operador destaca que não viu nenhum grande fluxo de saída ou notícia que justificasse o salto do dólar. A pressão veio no mercado de derivativos e, assim, “dá para supor que o mercado comprou ações e se protegeu no dólar”.

Já Italo Abucater dos Santos, gerente de câmbio da Tullett Prebon, avalia que o movimento é uma correção em relação à perspectiva positiva que os investidores, sobretudo os locais, tinham para o câmbio neste início de 2020. “Devemos ter mais um ano em que a entrada sazonal de dólares no começo do ano deve frustrar novamente. A questão é que o local vende dólar, mas o estrangeiro não. Saiu da renda fixa e não tem perfil para renda variável”, diz. “Muita gente entrou vendido mesmo sem ter fluxo. Agora começam a corrigir”, continua, citando dados como a saída recorde de dólares no ano passado.

Para Abucater, o câmbio deveria estar operando em uma banda mais alta, entre R$ 4,15 e R$ 4,20, neste início de ano.

O possível ajuste de apostas, no entanto, não aparece nos dados de posição sobre o mercado futuro até a última sexta-feira. Segundo a B3, os investidores locais elevaram sua posição vendida - que ganha com a valorização do real - em US$ 2,09 bilhões entre 6 e 10 de janeiro, para US$ 13,64 bilhões. Já a posição comprada estrangeiros subiu US$ 449 milhões, para US$ 27,74 bilhões.

Para o profissional de tesouraria, caso o comportamento do câmbio ainda não preocupa. No entanto, caso continue destoando nos próximos dias, o Banco Central poderá ser ser chamado a intervir no mercado.

Santos, da Tullett, diz que o BC pode atuar diretamente no mercado futuro com swaps cambiais e não com moeda à vista, uma vez que o cupom cambial tem operado em níveis “comportados” nos últimos dias. A última vez que o BC ofertou swaps foi em meados de 2018, durante a greve dos caminhoneiros.

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