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Dólar sobe nesta sexta ao fim de semana que antecede decisão do Fed

·3 min de leitura
Notas de dólares dos EUA em contagem em agência bancária em Westminster, Colorado, EUA

Por José de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar registrou nesta sexta-feira a maior alta desde a primeira sessão do ano, ao fim de um pregão de vaivém em meio a clima negativo nas praças financeiras globais, mas nada que impedisse a moeda de emendar a segunda semana consecutiva de baixa, com investidores voltando a olhar para o Brasil em busca de pechinchas.

O dólar à vista subiu 0,75% nesta sessão, a 5,4579 reais na venda, após variar entre alta de 1,09% (para 5,476 reais) e queda de 0,23%, para 5,4048 reais.

O ganho percentual no fechamento é o mais intenso desde 3 de janeiro (+1,63%).

Alguns sinais de análise técnica já apontavam um ajuste para cima. O índice de força relativa de 14 dias (IFR-14) --que mede o quão fora de padrão foi a oscilação recente do preço de um ativo-- havia ficado perto de 30 na véspera, linha a partir da qual o preço começa a ser visto como barato (no caso, o dólar estaria barato).

Além disso, com base nas Bandas de Bollinger --uma outra ferramenta de análise técnica--, o dólar havia rompido na quinta-feira a linha inferior (fechou abaixo de 5,4389 reais), mas sem convicção, o que chamou compras de oportunidade.

O mercado recebeu na parte da tarde informações sobre o Orçamento que o presidente Jair Bolsonaro precisa sancionar formalmente até esta sexta. Segundo dois membros do Ministério da Economia que falaram à Reuters sob condição de reserva, o texto manteve verba de 1,7 bilhão de reais para reajustes salariais e reestruturação de carreiras de servidores, num momento em que o governo enfrenta forte demanda de várias categorias.

A correção no câmbio nesta sexta, de toda forma, foi discreta, e ditada em parte por novo dia de deterioração no sentimento externo, com as bolsas de valores de Nova York em novo tombo.

Por outro lado, o cenário ainda forte para as commodities e a percepção de que por ora os movimentos de política monetária nos EUA estão precificados deram algum respaldo a alguns pares emergentes do real, como peso mexicano e peso colombiano, que haviam ficado para trás recentemente ante a moeda brasileira.

Todas as atenções dos próximos dias estarão voltadas para o banco central norte-americano, que na quarta-feira anuncia decisão de política monetária. Não se espera que o Fed mexa nos juros ainda, mas, sim, que possa sinalizar aumentos das taxas a partir de março, dar pistas sobre o número de elevações ao longo do ano e sobre quando, e em que ritmo, reduzirá seu estoque de ativos.

"Os ativos dos mercados emergentes parecem bem precificados para um tom duro do Fed. Contudo, desenvolvimentos específicos em emergentes e riscos de difícil precificação que emanam da escalada das tensões com a Rússia provavelmente manterão os investidores cautelosos", disseram estrategistas do Barclays em nota.

Para Marco Caruso, economista-chefe do Banco Original, a tônica para a taxa de câmbio no Brasil por ora deverá ser ditada ainda pelos eventos internacionais, sobretudo a política monetária do Fed. Ele lembra que o real mais recentemente embarcou numa recuperação mais firme que alguns de seus pares uma vez que, no geral, o entendimento é de que a moeda está ainda descontada.

"Nossos problemas, nossos desafios nós já conhecemos. Nossos fundamentos de setor externo, balança comercial, fluxo financeiro... em tese trazem o câmbio (dólar) para baixo, temos ancoragem disso, mas ainda pode haver calor com o juro real americano no ano, e isso é tradicionalmente fator de alta para o dólar", afirmou.

Na semana, o dólar acumulou baixa de 0,99% --a segunda semana consecutiva de perdas, já que entre os dias 10 e 14 o dólar já havia recuado 2,12%. Em janeiro, a cotação perde 2,07%.

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