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Dólar sobe após críticas de Lula a BC independente e com fiscal no radar

Dólar

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar à vista exibia alta ante o real nesta quinta-feira, após críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à independência do Banco Central e com preocupações dos investidores sobre a cena fiscal, enquanto, no exterior, o foco seguia sobre a política monetária dos Estados Unidos.

Às 10:35 (de Brasília), o dólar à vista avançava 0,72%, a 5,1986 reais na venda.

Na B3, às 10:35 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,19%, a 5,2100 reais.

Lula disse em entrevista à GloboNews na véspera --após o fechamento do mercado de câmbio-- que o BC independente não faz mais agora do que quando o presidente da instituição era trocado sempre que um novo governo assumia, e voltou a afirmar que a responsabilidade social precisa andar junto à responsabilidade fiscal.

"Minha divergência é que nesse país se brigou para ter um BC independente achando que ia melhorar o quê?", disse Lula. "É uma bobagem achar que vai fazer mais do que quando o presidente indicava", continuou, acrescentando que, mesmo com BC independente, os juros e a inflação continuam altos.

Durante a campanha, Lula disse por algumas vezes que não pretendia propor, ao menos inicialmente, uma legislação que revertesse a independência do BC. A medida, sancionada em 2021 após aprovação no Congresso, estabelece que os mandatos do presidente e diretores do BC não coincidam mais com os do presidente da República. Assim, novos governos convivem por algum tempo com autoridades indicadas pelos seus antecessores.

O presidente do BC, Roberto Campos Neto, faz palestra nesta quinta-feira na UCLA School of Management, em Los Angeles, às 16h30.

Declarações de Lula já haviam pesado no dólar na quarta-feira, quando ele indicou possibilidades de mudança no salário mínimo e no Imposto do Renda (IR). As falas foram mal recebidas no mercado pelos seus potenciais impactos nas contas públicas -- o salário mínimo é indexador de outras despesas, como de aposentadoria, e um aumento da isenção do IR diminuiria a receita do governo.

Cleber Alessie, gerente da mesa de câmbio da Commcor, disse à Reuters que o assunto da independência do BC ainda parece ser "mais ruído" do que uma crença dos agentes financeiros de que a medida pode ser revertida por Lula, mas destacou o caráter "delicado" da questão. Ele também afirmou que a preocupação com o fiscal após as declarações de Lula na véspera seguem impactando o mercado.

No entanto, Alessie observou que o dólar já devolveu parte do movimento mais forte da abertura. "Teve um susto inicial às falas, mas ainda existe essa leitura, e faz preço, de que o Brasil, entre outros países da região, merece fluxo. Tem muita gente que deve aproveitar esse momento para entrar comprando".

As reações no mercado às afirmações de Lula ocorrem após uma série de declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, bem recebidas nos últimos dias pelos agentes financeiros, incluindo sobre reforma tributária e uma nova âncora fiscal.

No exterior, a moeda norte-americana se enfraquecia cerca de 0,15% ante uma cesta de divisas fortes, ainda reagindo a dados econômicos e declarações de membros do Federal Reserve na véspera.

Porém, o dólar avançava sobre alguns dos principais pares emergentes do real, como o peso mexicano e o rand sul-africano.

Vendas no varejo e a produção industrial nos EUA vieram fracas em dezembro e elevaram o temor de recessão econômica, reforçando apostas de um Fed menos agressivo nos juros -- o que ajuda na queda do dólar. Paralelamente, porém, membros do Fed apontaram que a elevação dos juros pelo banco central norte-americano precisa chegar acima de 5%, nível maior do que estava precificado no mercado.

Nesta quinta-feira, indicador de auxílio desemprego nos EUA era destaque na agenda econômica, enquanto mais declarações de membros do Fed estavam no radar, incluindo a vice-chair da instituição, Lael Brainard, e o presidente do Fed de Nova York, John Williams.

Localmente, a taxa de desemprego no Brasil caiu a 8,1% nos três meses até novembro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística pela manhã, em linha com o esperado pelo mercado.

Na véspera, o dólar à vista subiu 1,11%, a 5,1613 reais na venda.

(Por André Romani)