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Dólar sobe mais de 4% na pior primeira semana desde 2003 e vai a R$ 5,42

JÚLIA MOURA
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar acumulou alta de 4,37% na primeira semana de 2021, terminando a sexta-feira (8), a R$ 5,4160, alta de 0,31% no pregão. O turismo está a R$ 5,593. Esta é a maior alta semanal desde 15 de junho. Em comparação às primeiras semanas de anos anteriores, está é a pior desde 2003. Janeiros tendem a ser meses positivos para a divisa brasileira, com entrada de capital ao país e de queda do dólar. O movimento neste começo de ano, porém, reflete o aumento do risco fiscal no Brasil, bem como a força internacional do dólar ante moedas emergentes com a vitória democrata nas eleições dos Estados Unidos e o aumento de casos Covid-19 e de restrições para conter seu avanço. O real teve a segundo maior desvalorizaação entre emergentes, atrás apenas do rand sul-africano. Nesta semana, o deputado federal e presidente do MDB, Baleia Rossi (SP), lançou oficialmente sua candidatura ao comando da Câmara dos Deputados, defendendo a prorrogação do auxílio emergencial em meio à pandemia do novo coronavírus. Entre os partidos que apoiam Rossi está o PT, legenda de maior bancada, com 52 parlamentares. "A indefinição dos novos presidentes do Congresso e Senado e de como o governo consiguiria montar uma base para aprovar as medidas que já estão um bom tempo paradas deixa os investidores em compasso de espera", afirma Fabrizio Velloni, economista-chefe da Frente Corretora. Velloni se diz preocupado com a cominação alta do dólar e alta do petróleo na inflação brasileira. Também nesta semana, a Consultoria de Orçamento e Fiscalização Financeira da Câmara publicou nota técnica que visa o aumento do gasto do governo com despesas obrigatórias para além do teto de gastos. Uma perspectiva de aumento de gastos por parte do governo amplia a percepção quanto ao risco fiscal brasileiro. Quanto mais fraca e endividada uma economia, menos valor tende a ter sua moeda. O aumento do risco fiscal se reflete na alta dos juros futuros. Juros futuros são taxas de juros esperadas pelo mercado nos próximos meses e anos. São a principal referência para os juros de empréstimos que são liberados atualmente, mas cuja quitação ocorrerá no futuro. Nesta semana, o juro para julho de 2022 subiu de 3,60% para 4,02%. A Selic a 2% ao ano, mínima histórica, e os juros reais (descontando a inflação) em território negativo, também contribuem para a desvalorização do real, tornando mais barato posições de hedge em dólar, que têm o intuito de proteger aplicações da variação cambial. A Bolsa brasileira, por outro lado, subiu 5% na semana, em meio a recordes. Nesta sexta, renovou sua máxima histórica a 125.076 pontos no fechamento, alta de 2,20% no pregão. Na máxima do dia, foi a 125.323,53 pontos, recorde intraday. Geralmente, quando a Bolsa sobe, o dólar cai, em um sinal de redução da percepção de risco de investidores. Enquanto o investimentos em ações é tido como mais arriscado, a compra de dólares é um porto seguro. O mercado acionário local, porém, avança com a entrada de investidores pessoa física e estrangeiros, em um cenário de grande liquidez global. Em dólares, a Bolsa brasileira ainda estaria barata a investidores estrangeiros. Em Wall Street, os principais índices acionários também renovaram recordes nesta sexta. Dow Jones subiu 0,18%, S&P 500 teve alta de 0,55% e Nasdaq, de 1,03%. Com maioria democrata no Senado e na Câmara dos EUA, o mercado espera novos pacotes econômicos de estímulo no país sob o governo de Joe Biden -na semana passada, foi aprovado um pacote de quase US$ 900 bilhões. A maior economia do mundo tem desacelerado sua recuperação. Nesta sexta, o relatório de emprego do governo americano mostrou que a economia cortou vagas pela primeira vez em oito meses em dezembro. No saldo, foram 140 mil empregos a menos, deixando a taxa de desemprego em 6,7%. "É difícil ignorar a queda impressionante de empregos em dezembro, mas o mercado deve a ignorar os dados decepcionantes diante de distribuição de vacina, forte probabilidade de estímulo e um Fed [banco cenral americano] com uma política monetária estimulativa", disse Mike Loewengart, diretor geral de estratégia de investimento na E-Trade Financial. No Ibovespa, a maior alta da sessão foi de Notre Dame Intermédica, que disparou 26,59% seguida de Hapvida, que subiu 17,71%, após notícia do jornal O Globo de que as companhias estariam negociando uma fusão. Já a B2W subiu e 6,97%, em um pregão de recuperação para o varejo. Lojas Renner teve apreciação de 5,8% e Lojas Americanas ganhou 2,98%. A MRV capitaneou a escalada do setor imobiliário na B3, com um salto de 6,91%, segundo seguida por Cyrela, que avançou 4,8%, Gafisa, com avanço de 3,7%. Rossi, de menor liquidez e fora do índice, foi ainda mais longe, disparando 30,9%.