Mercado fechado

Dólar sobe em meio a indefinição sobre regra fiscal

***FOTO DE ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, 24.01.2019 - Cédulas de dólar. (Foto Gabriel Cabral/Folhapress)
***FOTO DE ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, 24.01.2019 - Cédulas de dólar. (Foto Gabriel Cabral/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar avançava frente ao real nesta segunda-feira (7), depois de na semana passada ter tombado quase 5%, com temores sobre os planos de gastos extra-teto do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) compensando o apetite por risco internacional.

Às 10h01 (de Brasília), o dólar à vista avançava 0,62%, a R$ 5,0838 na venda.

Na B3, às 10h01 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,43%, a R$ 5,1055.

Na última sexta-feira (4), no encerramento da primeira semana do mercado financeiro brasileiro após o desfecho do 2º turno das eleições, houve ganhos consistentes na Bolsa de Valores e um tombo do dólar frente ao real.

Analistas relatam que a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que conta com boa avaliação fora do país, e o início do processo de transição afastaram incertezas sobre a solidez da democracia no país. Isso resultou em aumento do fluxo de investimentos de estrangeiros no mercado local.

Os ventos se tornaram ainda mais favoráveis para a atração dos dólares de investidores internacionais nesta sexta-feira (4), quando ganhou força o rumor de que a China poderá relaxar medidas de combate à Covid-19. Essa expectativa beneficiou não apenas o Brasil, mas também outros países emergentes que são exportadores de matérias-primas.

O dólar comercial à vista fechou o dia em queda de 1,42%, cotado R$ 5,0510 na venda. No resultado desta semana, a moeda americana tombou 4,73% frente ao real. É o maior recuo semanal desde o final de junho.

No mercado de ações, o Ibovespa subiu 1,08%, aos 118.155 pontos, sendo que, ao longo do dia, o índice referência da Bolsa de Valores chegou a tocar a máxima de 120.039 pontos. No acumulado desta semana, a Bolsa escalou 3,16%.

Ações ligadas à exportação de minério de ferro, aço e outras mercadorias que têm a China como principal destino dispararam nesta sexta. A Vale saltou 7,59%. As siderúrgicas Usiminas e CSN avançavam 7,65% e 6,34%, respectivamente.

Principal parceiro comercial do Brasil, a China deverá diminuir as restrições aos voos internacionais, que ainda enfrentam um rígido controle devido à política de combate à Covid, disseram fontes próximas a autoridades chinesas, segundo a agência de notícias Bloomberg.

Atualmente, companhias aéreas que transportam passageiros contaminados ficam suspensas de rotas no interior do país por cerca de duas semanas. A intenção de Pequim é acabar com essa punição.

Gargalos provocados pela tentativa de zerar casos de Covid na China estão entre as principais causas do desabastecimento que vem provocando uma alta mundial nos preços ao consumidor.

O avanço da Bolsa do Brasil só não foi maior devido ao tombo de 5,51% das ações da Petrobras nesta sexta, após analistas do Goldman Sachs cortarem a recomendação dos papéis da petrolífera de "compra" para "neutro", argumentando um aumento da incerteza em torno das políticas a serem adotadas nos próximos anos.

A Petrobras havia reportado na véspera lucro líquido de R$ 46,09 bilhões entre julho e setembro, alta de 48% ante o mesmo período do ano passado, com a disparada dos preços do petróleo.

Para piorar o humor dos investidores quanto às ações da companhia, o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União pediu a suspensão do pagamento de dividendos pela Petrobras, informou à agência Reuters.

Em situação oposta à da petroleira controlada pelo governo, o mercado de ativos ligados à produção e exportação de petróleo obteve forte valorização também devido à possibilidade de maior abertura na China, país que mais consome a matéria-prima.

Entre as empresas com maior ganho do Ibovespa, a petroleira privada 3R Petroleum registrou elevação de 7,16% das suas ações.