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Dólar sobe em meio a decepção com dado no Brasil e tensão externa

Marcelo Osakabe

No encerramento dos negócios, o dólar foi negociado a R$ 4,0851, alta de 0,82% A falta de notícias positivas no Brasil, aliada à decepção com os dados de produção industrial, impediu a retomada dos mercados locais. A despeito do bom desempenho das ações americanas após o discurso mais apaziguador dos Estados Unidos sobre o conflito contra o Irã, o Ibovespa firmou sua quinta baixa consecutiva, enquanto o dólar comercial chegou a superar a marca de R$ 4,09 durante o pregão.

No encerramento dos negócios, o dólar foi negociado a R$ 4,0851, alta de 0,82%, após tocar os R$ 4,0901 na máxima intradiária.

Os demais emergentes também cederam terreno contra o dólar. O comportamento fez da moeda brasileira a segunda pior divisa do dia entre as 33 maís líquidas do mundo, atrás apenas do peso chileno (-1,31%).

Em paralelo, outros dois movimentos ajudaram a moeda americana a se fortalecer. Um foi a recuperação contra divisas desenvolvidas como o iene japonês (0,40%) e a libra esterlina (0,30%). O segundo foi um ataque com foguetes em um distrito próximo a uma base militar americana no Iraque. No horário acima, o índice DXY da ICE avançava 0,16%, aos 97,44 pontos.

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"Tivemos um bom desempenho do dólar desde ontem por causa da queda do risco político e isso explica a desvalorização do real", diz Victor Candido, gestor da Journey Capital. "Da mesma forma que o real se valorizou bastante em dezembro na esteira do enfraquecimento do dólar, ocorre essa volta agora."

A queda acimma do esperado da produção industrial também ajudou. Segundo o IBGE, o indicador caiu 1,2% em novembro na comparação mensal, mais que a estimativa de baixa de 0,7%. “O dado volta a abrir discussão sobre tamanho do crescimento do Brasileste ano, se vai ser mesmo acima de 2%”, diz Alessandro Faganello, operador da Advanced Corretora.

Embora a perspectiva de aceleração do crescimento econômico traga consigo a volta de recursos do estrangeiro, dados de dezembro do fluxo cambial sugerem que o movimento de pré-pagamentos não perdeu força, avalia o Citibank. “Considerando a saída recorde de US$ 19,9 bilhões no mês passado, é possível que a dinâmica não cessou, mesmo controlando pela sazonalidade do ano”, diz o banco americano em nota. O pagamento antecipado de dívidas no exterior é um dos fatores que resultou em uma saída maior de dólares no Brasil e também uma chegada menor, o que pressiona o câmbio.