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Dólar sobe em linha com exterior e incerteza sobre nome para Fazenda

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 24.01.2019 - Still de mãos segurando cédulas de dólar. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 24.01.2019 - Still de mãos segurando cédulas de dólar. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)

SÃO PAULO (FOLHAPRESS) - O dólar avançava frente ao real nesta quarta-feira (9), acompanhando a alta internacional da divisa norte-americana conforme investidores aguardavam os resultados da eleição de meio de mandato dos Estados Unidos, enquanto, no Brasil, a incerteza sobre quem será o ministro da Economia de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) continuava preocupando.

Às 9h10 (de Brasília), o dólar à vista avançava 0,49%, a R$ 5,1752 na venda.

Na B3, às 9h10 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,43%, a R$ 5,1960.

Nesta terça-feira (8), os principais indicadores financeiros refletiram a redução das tensões entre investidores após a divulgação de alguns dos nomes que participarão da transição de governo.

A equipe do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contará com os economistas Persio Arida e André Lara Resende. Financistas cobravam da nova gestão nomes técnicos e mais alinhados ao mercado.

No mercado de câmbio do Brasil, o dólar comercial à vista fechou em queda 0,44%, cotado a R$ 5,15. Na Bolsa de Valores, o índice de ações Ibovespa subiu 0,71%, aos 116.160 pontos.

As ações preferenciais da Petrobras abandonaram a zona negativa dos últimos dias e subiram 0,74%. Entre os papéis mais negociados da Bolsa brasileira, os ativos da estatal passaram a sofrer forte desvalorização após a eleição de Lula.

Na equipe de transição, o setor que tratará de economia teve quatro nomes anunciados. Além de Arida e Resende, o economista Guilherme Mello, professor da Unicamp e ligado ao PT, também fará parte da equipe. O quarto integrante é Nelson Barbosa, que foi ministro da Fazenda e do Planejamento no governo de Dilma Rousseff.

Com isso, há uma divisão da área entre dois economistas com histórico liberal (Arida e Resende) e dois representantes diretos do partido (Barbosa e Mello), que defendem a flexibilização do teto de gastos para atender demandas sociais.

Persio Arida chegou a ser citado entre os nomes considerados para assumir a economia. Ele é próximo de Alckmin, vice-presidente eleito e coordenador da transição.

O economista é um dos pais do Plano Real -medida que acabou com o cenário de hiperinflação nos anos 90, na transição dos governos Itamar Franco (1992-1994) e Fernando Henrique Cardoso (1995-2002)- e declarou voto em Lula no segundo turno.

Após a Folha de S.Paulo ter antecipado os nomes de Arida e Resende, por volta das 12h30, o Ibovespa atingiu as pontuações máximas do dia, acima dos 117 mil pontos.

O mercado de ações doméstico, porém, devolveu parte dos ganhos diante da apresentação dos demais membros da equipe e também com a volatilidade provocada no exterior pelas eleições para o Congresso dos Estados Unidos.

Em Nova York, o índice S&P 500, referência da Bolsa americana, fechou em alta de 0,56%. Mais cedo, porém, chegou a subir mais de 1%.

Investidores aguardavam o resultado das eleições de meio de mandato contando com a possibilidade de retomada do controle do Legislativo pelo Partido Republicano que, em teoria, pode limitar planos do presidente democrata Joe Biden quanto a políticas mais expansionistas, ou seja, que aumentam os gastos públicos.

A perspectiva de inclusão do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega na transição, conforme adiantou o vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB), também gerou reclamações entre participantes do mercado.

Alguns disseram, porém, que a desconfiança pode ser amenizada caso o novo governo apresente um "waiver", que nesse contexto significa licença para gastar acima do teto de gastos, de R$ 170 bilhões, abaixo dos R$ 200 bilhões inicialmente estimados.