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Dólar sobe em dia de realização de lucros após cair 9% em junho

Valor

Moeda americana acabou o dia cotada a R$ 4,8882 (+0,71%) Após acumular queda de 9,04% nos primeiros nove pregões do mês, o dólar comercial viveu um dia de realização de lucros nesta terça-feira, em linha com o comportamento generalizado de acomodação visto no exterior por outras divisas emergentes e demais ativos de risco.

Depois de chegar a subir 1,71% na máxima intraday, a R$ 4,9373, o avanço perdeu fôlego e a moeda americana acabou o dia cotada a R$ 4,8882 (+0,71%). Dessa forma, a queda acumulada em junho do dólar caiu para 8,40%. No mesmo horário, o dólar subia 1,71% contra o peso mexicano, 1,35% frente ao peso colombiano e 0,64% na comparação com o rublo russo.

"O apetite por risco visto nos últimos dias dá uma pausa hoje aparentemente influenciado pela boa e velha realização de lucros. Não há novidades para justificar a virada", dizem analistas do Brown Brothers Harriman. "Este rali poderoso visto nos mercados acionários ao mesmo tempo em que o noticiário econômico continua bastante negativo continua a confundir muitos observadores."

Entre os motivos citados para a pausa do rali, está a cautela costumeira antes da reunião do Federal Reserve, que anuncia amanhã sua decisão de política monetária. Apesar disso, a leitura generalizada sobre o evento é que ele tem chances reduzidas de trazer novidades concretas.

"Não esperamos nenhum novo anúncio por parte do Fed, ainda que o tom do comunicado certamente se mantenha do lado "dove" (favorável a estímulos)", dizem analistas do TD Securities. "Adicionalmente, a atualização das projeções econômicas provavelmente irá mostrar a inflação se afastando ainda mais da meta de 2%, o que pode manter o juro básico perto de zero pelo menos até o fim de 2022."

Ainda assim, a pausa do rali se refletiu sobre o risco-país. O spread do contrato de 5 anos do Credit Default Swap operava aos 228 pontos no início desta tarde, de acordo com dados compilados pela IHS Markit. Ontem, ele encerrou o dia em 206 pontos.

Embora reconheça que as moedas emergentes tenham tido grande recuperação desde o pico da crise da covid-19, o Morgan Stanley nota que seu indicador de sentimento de risco ainda não chegou ao ponto de sinalizar "clara complacência". Por outro lado, dizem analistas do banco americano em nota, "acreditamos que o recente rali merece uma abordagem mais cautelosa. Ainda assim, o universo das divisas emergentes de continuar recebendo apoio de um dólar mais fraco, dado que o Fed deve manter amplos estímulos até que os dados tragam melhora consistente."

Nesse ambiente, o Morgan Stanley vê espaço técnico para o dólar recuar até os R$ 4,75 no Brasil. No entanto, "dado que os fatores idiossincráticos continuam longe de apresentar melhora, nós evitamos adotar uma postura mais otimista do que permite o cenário global para a tomada de risco."

Outro banco que mantém postura cética quanto o desempenho recente do real é o Commerzbank. Para a da estrategista de câmbio do banco alemão para moedas latinoamericanas, You-Na Park-Heger, o rali da moeda brasileira ocorreu a despeito do fluxo de notícias ainda preocupante no cenário doméstico, o que abre espaço para correção no curto prazo.

"A recuperação do real contra o dólar, esperada se olharmos o contexto mais geral dos mercados financeiros, veio muito mais rápido do que nós prevíamos. A rapidez nos deixa especialmente céticos, já que a crise da pandemia da covid-19 ainda parece longe do fim mesmo que medidas de reabertura estejam entrando em vigor em todo o mundo. Isto é particularmente verdade no Brasil, onde o contágio ainda ocorre a taxas alarmantes", diz a profissional, para quem o dólar deve voltar a operar acima de R$ 5,00 nas próximas semanas no Brasil.

Park-Heger nota que a equipe de analistas do Commerzbank, de forma mais geral, desconfia da atual euforia dos mercados. "As incertezas sobre a recuperação econômica global ainda são altas, as relações entre Estados Unidos e China voltaram a piorar e o risco de uma segunda onda de infecções continua à espreita. O otimismo mostrado pelos mercados com a retomada mundial, portanto, nos parece exagerada e, portanto, suscetível de sofrer uma correção", diz. "Tal evento teria rapidamente reflexos sobre o real. A perspectiva sombria para a economia, os juros baixos, o alto déficit público e, não menos importante, as tensões políticas locais tornam a moeda brasileira particularmente suscetível a uma volta do sentimento de aversão ao risco."

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