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Dólar sobe e flerta com R$5,67 com exterior e ruídos locais

José de Castro
·3 minuto de leitura
Notas de dólares

Por José de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar voltou a fechar em alta nesta quinta-feira, ficando perto de 5,67 reais, nas máximas em duas semanas, impulsionado por nova rodada de fortalecimento global da moeda norte-americana, movimento que no Brasil teve seus efeitos ampliados pelo desconforto com o agravamento da pandemia e contínuas incertezas fiscais.

O dólar à vista subiu 0,56%, a 5,6698 reais --maior valor desde o último dia 9 (5,7927 reais).

No exterior, o índice que acompanha o desempenho da moeda frente a uma cesta de rivais ganhava 0,3%, operando em máximas em quatro meses. O dólar também subia frente a pares do real, como rand sul-africano (+0,3%), lira turca (+0,4%) e peso colombiano (+0,5%).

A queda das commodities, que estão em mínimas em pouco mais de um mês, pesou sobre divisas emergentes de perfil semelhante ao real, que foram abaladas ainda pelo fôlego do dólar na esteira da percepção de que a economia norte-americana mais uma vez vai superar seus pares --o que, na prática, aumenta a atratividade do dólar como investimento.

E, no segundo trimestre, a expectativa de estrategistas do Bank of America é que o dólar se mantenha forte. Os profissionais calculam que o índice DXY poderá subir para uma resistência entre 94 e 95, alta de pouco mais de 2% ante o patamar atual.

O ímpeto do dólar nas praças internacionais impõe pressão extra para o câmbio no Brasil, que nas últimas semanas teve um respiro com as intervenções do Banco Central e o tom mais duro do BC com a inflação, mas segue pressionado pela ampla incerteza sobre os rumos da pandemia e seus impactos econômicos e fiscais --e também políticos.

Nesta quinta, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), afirmou que o pronunciamento na véspera do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), em que fala em acender um "sinal amarelo" e menciona remédios amargos sinalizam a insatisfação do Congresso com o governo federal.

"Como presidente da Câmara, Lira é o único que pode abrir um processo de impeachment contra o presidente da República", lembrou Victor Beyruti, economista da Guide. "Lira deixou claro que não é essa a intenção 'dessa presidência', mas o discurso foi uma nítida ameaça ao presidente da República, que se recusa a ajustar o seu discurso em torno do isolamento social, a preeminência das vacinas e os tratamentos precoces", completou.

A percepção entre investidores é de que quanto mais ruído político, menos probabilidade de encaminhamento da agenda de reformas, já deixada de lado no momento devido ao recrudescimento da crise sanitária.

"Esse é o risco de cauda do mercado (nenhuma reforma em 2021)", avaliou Mauricio Nakahodo, economista sênior do MUFG, que, por ora, ainda vê apoio de "boa parte" do centrão ao governo, o que "garante algum viés positivo ao encaminhamento de alguns pontos da reforma tributária" neste ano.

Nakahodo ainda projeta dólar de 5,10 reais ao fim do ano, levando em conta expectativa de melhora do diferencial de juros a favor do Brasil, alívio externo com queda nos rendimentos dos títulos dos Estados Unidos e aceleração da vacinação no Brasil --mantido um quadro político de apoio ao governo.

O profissional de um banco estrangeiro chamou atenção nesta quinta para a votação do Orçamento 2021 pela Comissão Mista de Orçamento (CMO) do Congresso Nacional, que deve analisar o texto ainda nesta quinta. O relator-geral da proposta de Lei Orçamentária Anual (LOA), senador Marcio Bittar (MDB-AC), demonstrou incômodo ao dizer que o Ministério da Economia não enviou propostas de soluções para problemas de financiamento para alguns ministérios, ausentes na peça analisada.

Para o profissional, o governo cometeu "lambança" ao enviar o texto com previsões de gastos desatualizadas.