Mercado fechará em 58 mins

Dólar sobe cerca de 2% com aversão ao risco global

*ARQUIVO* SÃO PAULO - SP - 05.09.2013 - Bolsa de Valores na  Rua XV de Novembro em Sao Paulo. (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)
*ARQUIVO* SÃO PAULO - SP - 05.09.2013 - Bolsa de Valores na Rua XV de Novembro em Sao Paulo. (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após o bom humor tomar conta dos mercados no pregão passado com a perspectiva de que o aperto monetário nos Estados Unidos não será tão agressivo como alguns estavam esperando, a aversão ao risco voltou a dar as cartas nesta quinta-feira (5).

O dia é marcado por quedas expressivas das ações nas Bolsas dos Estados Unidos e no Brasil, com o dólar voltando a se fortalecer frente ao real.

Após iniciar a sessão passada em alta e inverter de tendência na esteira da decisão do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) para fechar em queda de 1,2%, o dólar volta a ganhar força no mercado local.

Por volta das 11h40, a moeda norte-americana registrava alta de 2,24% ante a divisa brasileira, negociada a R$ 5,013 para venda.

No mercado de juros futuros, as taxas dos contratos avançam, depois de o BC (Banco Central) elevar a taxa Selic em 1 ponto percentual, para 12,75% ao ano.

No mercado de juros futuros, as taxas dos contratos avançam, depois de o BC (Banco Central) elevar a taxa Selic em 1 ponto percentual, para 12,75% ao ano.

O contrato de juros futuros para janeiro de 2023 subia de 13,04% para 13,20%, enquanto o título para 2027 passava de 11,90% para 12,05%.

A decisão do BC aumenta, ainda mais, a atratividade de títulos de renda fixa, em especial daqueles pós-fixados, que passam a oferecer um rendimento maior a cada alta da Selic.

No comunicado divulgado junto à decisão, a autoridade monetária sinalizou a continuidade do ciclo de alta dos juros, mas em uma intensidade menor. "Para a próxima reunião, o Comitê antevê como provável uma extensão do ciclo com um ajuste de menor magnitude", disse o Copom.

"O risco de desancoragem das expectativas para prazos mais longos parece ter sido o principal motivador para o Copom sinalizar nova alta na próxima reunião, ao invés de parar já nesta reunião", afirma Claudio Pires, diretor de investimentos da Mongeral Aegon Investimentos.

O especialista prevê um novo aumento de 0,5 ponto percentual no encontro do Copom de junho, com a Selic em 13,25% ao final do ciclo de alta dos juros.

Segundo André Perfeito, economista-chefe da Necton, as decisões monetárias no Brasil e nos Estados Unidos vieram em linha com o esperado.

"Mantemos a projeção do dólar a R$ 5, uma vez que a alta dos juros nos Estados Unidos não será mais forte que o esperado e por aqui os juros estarão suficientemente altos para manter o carrego favorável ao real", afirma Perfeito.

Analista de renda fixa da Suno Research, Vinicius Romano diz que os títulos pós-fixados são os maiores beneficiados pela decisão do Copom, já que a sua rentabilidade é atrelada à taxa Selic. "Ou seja, quanto mais os juros subirem, melhor para essa classe."

BOLSA EM QUEDA

Já a Bolsa de Valores brasileira, que fechou na véspera com ganhos de 1,7%, retoma a tendência negativa dos dias anteriores e opera em queda de 2,5%, aos 105.611 pontos.

O movimento está alinhado com o observado no mercado americano –o S&P tinha perdas de 2,3% nesta manhã, após fechar em alta de quase 3% no pregão passado, a maior desde maio de 2020. Já o Dow Jones oscilava em baixa de 1,8%, enquanto o Nasdaq cedia 3,6%.

"Mesmo após um Fed menos duro do que o esperado, o mercado deve seguir cauteloso frente ao ambiente desafiador ao crescimento, com dados de China e Alemanha divulgados na virada de ontem para hoje reforçando esta visão", diz Victor Beyruti Guglielmi, economista da Guide Investimentos, em relatório.

Havia no mercado até então uma percepção crescente entre os agentes de que o BC americano poderia passar a elevar os juros em 0,75 ponto percentual, frente à persistência da pressão inflacionária na região. Presidente do Fed, Jerome Powell afirmou após a decisão que a autoridade monetária não considera uma alta mais forte dos juros americanos neste momento.

A expectativa de uma maior longevidade das restrições de oferta, sustentadas pela guerra no Leste Europeu e pelo abre e fecha na China, também mantém um ambiente perigoso para a inflação, acrescenta o especialista da Guide.

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