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Dólar sobe até 2%, e BC injeta US$ 530 milhões para segurar câmbio

JÚLIA MOURA
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar chegou a registrar uma alta 2,05%, indo a R$ 5,31, nesta segunda-feira (28), o que levou o Banco Central a leiloar US$ 530 milhões à vista para conter a valorização. Foi o primeiro leilão do tipo desde 30 de outubro. Após a intervenção, a moeda perdeu força e fechou em alta de 0,75%, a R$ 5,2390, segundo dados da CMA, maior valor desde 2 de dezembro. Segundo analistas, a valorização é típica de final de ano. Neste período ocorre o encerramento de posições e remessas ao exterior de empresas e bancos. Também contribuiu o chamado overhedge, a proteção cambial adicional adotada por bancos que precisa ser desfeita na virada no ano e implica compra de dólares. "Vimos no começo da tarde um grande aumento na demanda por remessa ao exterior, especialmente de empresas, que estão fechando operações para acertar balanço de 2020", diz Paulo Henrique Duarte, economista da corretora Valor Investimentos. "Falamos com tesourarias dos bancos e tudo indica que o movimento deve seguir ao longo desta semana." Para fechar as contas no ano, multinacionais enviam valores às sedes fora do país, em dólares, o que eleva a procura pela moeda americana no Brasil. Na sessão, o real foi a moeda que mais se desvalorizou no mundo. O ajuste do overhedge ao fim do mês deve gerar uma compra bilionária de dólares por bancos na virada do ano. As instituições financeiras com filiais no exterior gastarão cerca de US$ 30 bilhões para quitar contratos de proteção cambial até 2022. Há a expectativa que o BC absorva parte da demanda, com oferta de US$ 9,602 bilhões em dinheiro novo via swaps. Além disso, como há menos liquidez no mercado pelo fim de ano, a demanda das empresas no pregão desta segunda teve um efeito potencializado na oscilação do câmbio. Nos mercados internacionais, o dia foi de alívio depois que novas medidas de auxílio econômico foram aprovadas nos Estados Unidos. O presidente americano Donald Trump sancionou no domingo (27) um pacote de ajuda pela pandemia e de gastos no valor total de US$ 2,3 trilhões, restaurando o auxílio-desemprego a milhões de cidadãos e evitando a paralisação do governo federal. Outro fator positivo é o acordo comercial pós-Brexit entre o Reino Unido e a União Europeia. Acompanhando Wall Street, a Bolsa brasileira se aproximou dos 120 mil pontos, patamar que faria frente ao recorde de 119,5 mil pontos de janeiro. Nesta segunda, o Ibovespa fechou em alta de 1,11%, a 119.123 pontos, maior valor desde que bateu o recorde, em 22 de janeiro. "A sanção por Trump do alívio à Covid-19 e do projeto de lei de gastos do governo tirou a incerteza do caminho, e o mercado agora está no piloto automático --indo mais alto a caminho do novo ano", disse Sam Stovall, estrategista-chefe de investimentos da CFRA Research. A aprovação do projeto de lei pelo republicano foi uma surpresa, já que ele havia se manifestado contra o valor dos cheques de estímulo para americanos (US$ 600), pedindo US$ 2.000. Em Wall Street, os principais índices acionários renovaram recordes. O S&P 500 subiu 0,87%. Dow Jones teve alta de 0,68% e Nasdaq, de 0,74% Com o acordo pós-Brexit, a Bolsa alemã também atingiu máxima recorde, com alta de 1,49%. Londres subiu 0,10%, e Paris, 1,2% O início de um programa europeu de vacinação no domingo também alimentou esperanças de um segundo semestre livre de pandemia em 2021 e de uma forte recuperação econômica na região.