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Dólar sobe ante real em linha com exterior e temor sobre agenda fiscal de Lula

Notas de 100 dólares

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar avançava frente ao real nesta quarta-feira, acompanhando a alta internacional da divisa norte-americana conforme investidores aguardavam os resultados da eleição de meio de mandato dos Estados Unidos, enquanto, no Brasil, a incerteza sobre a agenda fiscal de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a falta de indicação sobre quem será seu ministro da Fazenda continuavam preocupando.

Às 10:24 (de Brasília), o dólar à vista avançava 0,43%, a 5,1717 reais na venda.

Na B3, às 10:24 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,32%, a 5,1905 reais

O comportamento do mercado de câmbio doméstico nesta manhã estava em linha com movimento visto no exterior, onde o índice do dólar frente a uma cesta de pares fortes avançava 0,35%.

"Investidores seguem atentos... à apuração das eleições legislativas nos EUA, que aparenta sinalizar uma predominância menor que a esperada do Partido Republicano nos resultados", avaliou o departamento de pesquisas e estudos econômicos do Bradesco em relatório.

Muitos investidores esperavam uma "onda vermelha" nas eleições norte-americanas, com os republicanos conquistando maiorias tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado, mas muitas das corridas mais competitivas continuavam sem definição nesta quarta-feira, depois que alguns democratas conseguiram conquistar assentos cruciais no Capitólio.

Os republicanos são vistos como muito mais pró-mercados do que os democratas, o que explica o clima de cautela dos investidores diante do desempenho pior do que o esperado do partido.

Enquanto isso, no Brasil, "a PEC da Transição segue gerando certo desconforto", avaliou o Banco Inter em nota, chamando a atenção para encontros de Lula nesta quarta-feira com os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL); e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que podem trazer mais detalhes sobre os planos de gastos do governo eleito para o ano que vem.

A equipe de transição do próximo governo está trabalhando por uma emenda constitucional que garanta uma excepcionalidade ao teto de gastos e adequação do Orçamento do ano que vem às promessas de campanha de Lula, como a manutenção dos 600 reais do Auxílio Brasil e o reajuste real do salário mínimo. Os valores a serem excepcionalizados ainda não foram definidos oficialmente, mas há a expectativa de que possam superar os 200 bilhões de reais.

Corrobora o temor de investidores acerca da custosa agenda de Lula a falta de indicações claras sobre quem será o ministro da Fazenda do petista, com os mercados preocupados com a possibilidade de o cargo ser entregue a alguém muito inclinado à flexibilização das regras fiscais do Brasil.

Investidores alertavam que, quanto mais demorar o anúncio de quem chefiará a pasta econômica de Lula, maior deve ficar a volatilidade no mercado de câmbio.

Nesta quarta-feira, o Ministério da Defesa deve enviar à Justiça Eleitoral um relatório de fiscalização do sistema eletrônico de votação, o que alguns participantes do mercado citaram como ponto de atenção para esta sessão. Antes das eleições, o presidente Jair Bolsonaro (PL) havia apontado essa fiscalização como fundamental para atestar a segurança do pleito, que ele vem questionando sem provas e com alegações falsas.

A moeda norte-americana fechou a última sessão em queda de 0,45%, a 5,1498 reais na venda.