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Dólar acelera ganhos e supera R$5,24 com piora externa e BC e eleições no foco local

Notas de reais e dólares

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) -O dólar acelerou seus ganhos nesta terça-feira, o que deixava o real com o pior desempenho global no dia, refletindo piora generalizada nos mercados internacionais de câmbio e ações, enquanto, na cena local, novas indicações de autoridades do Banco Central e a crescente cautela eleitoral às vésperas do feriado de 7 de Setembro monopolizavam os holofotes.

Às 11:24 (de Brasília), o dólar à vista avançava 1,49%, a 5,2303 reais na venda, e chegou a tocar os 5,2431 reais, alta de 1,74%. A moeda recobrava forças depois de cair por dois pregões consecutivos e ter fechado a última sessão em 5,1533 reais, menor patamar em quase uma semana.

Na B3, o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 1,40%, a 5,2630 reais.

Os ganhos do dólar frente ao real acompanhavam a aceleração da alta de um índice da divisa norte-americana em relação a uma cesta de rivais de países ricos. Por volta de 11h20, o índice, que chegou a cair mais cedo, subia mais de 0,7%, rondando seus níveis mais altos em duas décadas.

Ao mesmo tempo, várias moedas emergentes ou sensíveis às commodities --a cujo movimento o real é sensível-- registravam perdas nesta manhã, entre elas peso mexicano, rand sul-africano e dólar australiano, que caíam cerca de 0,8% cada.

Entre as ações, os principais índices de Wall Street e da Europa abandonaram ganhos iniciais e passaram a operar no vermelho.

"Ainda vejo sinais de fragilidade nos mercados em meio a um ambiente econômico desafiador e sem sinais de melhora na visibilidade", escreveu Dan Kawa, diretor de investimentos da TAG.

Os ânimos globais têm se exaltado diante da iminência clara de recessão na Europa, que enfrenta uma crise energética, e riscos econômicos crescentes nos Estados Unidos, onde o Federal Reserve deve continuar aumentando os juros de forma agressiva, freando o consumo ao encarecer o crédito para famílias e empresas.

Enquanto isso, "as comemorações do Bicentenário da Independência deverão dominar o cenário nos próximos dias no Brasil", disse em relatório a Genial Investimentos.

A menos de um mês do primeiro turno das eleições, Bolsonaro busca demonstrar força ao mesclar convocatórias de campanha com eventos civis e militares marcados para o 7 de Setembro em Brasília e no Rio de Janeiro, enquanto a cúpula do Judiciário, provável alvo das manifestações, se prepara para a contenção de excessos nos discursos e atos contra as instituições com reforço de segurança.

Investidores devem monitorar os atos com cautela, de olho em qualquer escalada significativa nas tensões políticas locais.

Ainda no âmbito doméstico, participantes do mercado digeriam comentários do diretor de Política Monetária do Banco Central, Bruno Serra, que afirmou nesta manhã que o processo de controle inflacionário no Brasil ainda é bem incipiente e há discussão sobre ajuste residual na taxa básica de juros.

Na noite de segunda-feira, o presidente do BC, Roberto Campos Neto já havia dito que a autarquia pensa em "finalizar o trabalho" de fazer a inflação convergir para as metas, fala que foi interpretada como mais "hawkish" (agressiva na conduta da política monetária) do que as comunicações recentes do BC.

O mercado de juros sentiu o impacto dos comentários e as taxas dos principais DIs subiam acentuadamente --de 28,5 a 32,5 pontos-base-- na curva abrangendo janeiro de 2024 a janeiro de 2027.

A taxa Selic está atualmente em 13,75%.

(Edição de Isabel Versiani e José de Castro)