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Dólar bate R$ 5,50 alinhado com exterior

Lucas Hirata

Investidores avaliam dados econômicos recentes O dólar voltou a ganhar força contra as moedas emergentes na última sessão do semestre, levando a uma nova rodada de firme depreciação do real no Brasil. A busca por proteção se apoia ainda em estratégias de “hedge” (proteção) no câmbio que servem para defender posições em outros ativos, como juros e bolsa, diante das preocupações com o aumento de casos da covid-19 pelo mundo.

Por volta das 13h30, a moeda americana operava em alta de 1,06%, a R$ 5,4831, perto da máxima intradiária de R$ 5,5073. O que acabou agravando a instabilidade por aqui foram fatores sazonais como a formação da Ptax de fim de mês, trimestre e semestre, que deve durar até o início da tarde.

Assim, o real brasileiro é a segunda moeda que mais perde terreno hoje contra o dólar. Com uma depreciação bem mais acentuada que as demais, o rublo russo cai cerca de 1,61% contra o dólar na esteira do recuo do petróleo e também de preocupações locais envolvendo a pandemia da Covid-19.

Vale dizer, contudo, que a moeda brasileira continua, isolada, no posto de pior desempenho no semestre. A desvalorização chega a 27% no período até o momento, enquanto a do rublo russo e do peso mexicano são de 19% e 18%, respectivamente. Com isso, o real caminha para a maior perda para os seis primeiros meses do ano desde a maxidesvalorização de 1999, quando o regime de câmbio flutuante passou a ser adotado.

Analistas da TS Lombard notam que a forte recuperação das divisas emergentes contra o dólar não só desacelerou nas últimas semanas, como também deve enfrentar dificuldades para prosseguir no restante do ano. Não apenas os EUA parecem mais bem posicionados para colher os frutos de uma recuperação mais rápida que a dos emergentes, o que pode voltar a valorizar a moeda americana, como também estes últimos devem ressentir o fato de terem reduzido seu diferencial de juros com o exterior.

“O ciclo de queda dos juros nos emergentes, que ainda não chegou ao fim, e a deterioração das perspectivas econômicas nestes países representam desafios para as suas respectivas moedas”, diz a consultoria em relatório. O texto acrescenta que mesmo o câmbio mais desvalorizado não deve se traduzir em impulso consistente para as exportações, dado o cenário frágil do comércio mundial.

Por outro lado, há quem espere algum alívio no mercado de câmbio brasileiro nos próximos meses – tudo condicionado, porém, à recuperação relativa da economia e retomada da agenda de reformas. Gestor da JPP, Joaquim Kokudai reconhece que está mais positivo com o real do que a maioria no mercado, mas destaca que a redução do déficit em conta corrente ao longo dos próximos meses, assim como alguma melhora da economia, deve ajudar o real a tirar um pouco desse prêmio em relação aos emergentes.

“Clareando o cenário na questão da pandemia, a economia não deve piorar tanto como aconteceu em meses passados e isso deve ajudar o real. O mercado tem sido mais cético sobre o câmbio e tem a questão que o real tem sido usado de hedge para tudo. Mas sou mais otimista, acho que real pode ter uma performance melhor que os pares”, acrescenta.

Andrew Harrer/Bloomberg