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Dólar se aproxima de R$ 5,58 mesmo após ação do BC

Marcelo Osakabe
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Banco Central injetou US$ 560 milhões no mercado à vista no primeiro leilão não programado desde meados de setembro A recaída do apetite por risco no exterior, desencadeada pelo noticiário negativo sobre a Covid-19, fez o dólar se fortalecer contra praticamente todas as moedas nesta terça-feira. No Brasil, em um dia parado do ponto de vista do noticiário local, o movimento surpreendeu e fez o real figurar entre as divisas de pior desempenho do dia. O desfecho do pregão só não foi esse porque o Banco Central entrou na linha com um novo leilão de dólares no mercado à vista. Após a intervenção do BC, que injetou US$ 560 milhões no primeiro leilão não programado desde 28 de setembro, o real voltou a operar em linha com os demais pares. No fim, a moeda americana fechou negociada R$ 5,5782, alta de 0,95%. No mesmo horário, o dólar subia 0,74% contra o peso mexicano, 0,44% frente à lira turca e 0,57% na comparação com o peso chileno. No momento mais tenso da sessão, no entanto, o dólar chegou a ser negociado a R$ 5,6254 no Brasil. O enfraquecimento do real era, inclusive, mais intenso do que o visto contra o coroa checa, o zloty polonês e o florim húngaro, divisas que sofrem fortemente com uma segunda onda da covid-19. Na República Checa, o governo impôs uma série de medidas de restrição até o início de novembro, deixando a população local bastante próxima de um 'lockdown' completo. As preocupações que rondam os países do leste europeu foram reforçadas após a Johnson & Johnson anunciar que um teste clínico com uma vacina para o novo coronavírus foi interrompido após um dos participantes passar mal. Separadamente, também contribuíram os comentários da líder democrata no Congresso americano, Nancy Pelosi, que voltou a dizer que a proposta da Casa Branca para o pacote de auxílio é insuficiente. Embora o clima esteja mais ameno no âmbito doméstico, vale dizer que a pressão vinda do exterior já pega o câmbio pressionado por semanas de incertezas sobre o cenário fiscal, que tem feito o mercado local a operar em níveis bastante pressionados. Um profissional de tesouraria de um grande banco nota que a intervenção de hoje ocorreu mesmo sem que a alta do dólar estivesse contaminando outros mercados locais, como os juros longos, como é o usual em dias que o a autoridade monetária decide agir. "Mostra que o BC está atento, não quis deixar o mercado andar mais", diz este interlocutor. Internamente, a "moratória" imposta pelo presidente Jair Bolsonaro sobre as discussões do Renda Cidadã “devem resultar em semana sem assuntos impactantes para o mercado”, nota a Guide em comentário matinal. Por outro lado, houve algum alento com a notícia de que lideranças do Congresso estudam suspender o recesso parlamentar para votar reformas econômicas. Como mostrou o Valor, a ideia é compensar o tempo gasto com eleições locais para fazer andar temas como a reforma tributária e a PEC dos gatilhos, que deve trazer dentro de si a criação do benefício pretendido pelo presidente. Nesse cenário de adiamento das preocupações, o J.P. Morgan mantém uma recomendação neutra para o real. Embora a moeda brasileira continue perto dos níveis mais baratos da história, mesmo para modelos de curto prazo, “preferimos nos manter neutros dados os riscos idiossincráticos”, diz o banco americano. Na América Latina, o J.P. prefere o peso mexicano e o peso peruano. Daniel Acker/Bloomberg