Mercado fechado
  • BOVESPA

    122.979,96
    +42,09 (+0,03%)
     
  • MERVAL

    38.390,84
    +233,89 (+0,61%)
     
  • MXX

    49.789,31
    +417,33 (+0,85%)
     
  • PETROLEO CRU

    65,02
    -0,47 (-0,72%)
     
  • OURO

    1.868,80
    +0,80 (+0,04%)
     
  • BTC-USD

    43.230,51
    -1.123,25 (-2,53%)
     
  • CMC Crypto 200

    1.214,80
    -38,35 (-3,06%)
     
  • S&P500

    4.127,83
    -35,46 (-0,85%)
     
  • DOW JONES

    34.060,66
    -267,13 (-0,78%)
     
  • FTSE

    7.034,24
    +1,39 (+0,02%)
     
  • HANG SENG

    28.593,81
    +399,72 (+1,42%)
     
  • NIKKEI

    27.864,19
    -542,65 (-1,91%)
     
  • NASDAQ

    13.176,25
    -35,75 (-0,27%)
     
  • BATS 1000 Index

    0,0000
    0,0000 (0,00%)
     
  • EURO/R$

    6,4321
    +0,0020 (+0,03%)
     

Dólar se aproxima de R$5,70 com instabilidade em Brasília

José de Castro
·3 minuto de leitura
Notas de 100 dólares

Por José de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar teve forte alta nesta sexta-feira, superando 5,68 reais no pior momento do dia e oscilando mais de 11 centavos de real na sessão, com investidores temerosos sobre o rumo da política fiscal caso o Orçamento seja sancionado sem vetos.

O dólar spot subiu 1,80%, a 5,6748 reais. A moeda variou de 5,5700 reais (-0,08%) a 5,6853 reais (+1,99%).

Operadores comentaram sobre notícias de que pareceres da Câmara e do Senado recomendariam a sanção sem vetos da peça orçamentária e que, entre as opções para recompor as despesas obrigatórias, poder-se-ia recorrer a projeto de lei ou decreto.

O mercado teme maquiagem fiscal, o que poderia colocar em xeque o teto de gastos --e, por tabela, a permanência no cargo de Paulo Guedes, ministro da Economia, que já vem acumulando reveses em temas fiscais-- e lançar mais dúvidas sobre os rumos da política fiscal.

Azedando mais o humor, o conflito em torno do Orçamento, que já tensiona a relação Legislativo-Executivo, agora acontece em meio a ruídos tanto do governo quanto dos parlamentares em relação ao STF, cujo ministro Luís Roberto Barroso na véspera determinou abertura de uma CPI no Senado para investigar a gestão da pandemia de Covid-19 no Brasil.

"Agora pode sair qualquer coisa no fim de semana", disse Luis Laudisio, operador da Renascença, referindo-se à postura mais defensiva dos agentes que gerou nesta sessão os fortes movimentos nos mercados de câmbio e também de juros. As taxas de DI chegaram ao fim da tarde em rali de mais de 15 pontos-base.

No câmbio, o real de longe teve o pior desempenho no mundo, numa sexta marcada por fortalecimento global da divisa norte-americana, mas em magnitude bem mais moderada lá fora do que aqui.

O Banco Central, apesar disso, evitou anunciar operações de venda de moeda. Autoridades do BC, incluindo o presidente Roberto Campos Neto, voltaram a falar de câmbio nesta sexta, afirmando que o BC monitora os efeitos da desvalorização cambial sobre a inflação, mas sem realizar atuações no mercado com objetivo de amenizar pressão sobre os preços.

Campos Neto chegou a afirmar que o dado do IPCA de março divulgado nesta sexta-feira corrobora a perspectiva de nova alta de 0,75 ponto percentual na taxa Selic em maio. Para o mercado, com as leituras de inflação surpreendendo para baixo, ainda que de forma discreta, o BC pode se sentir mais confortável para implementar um ciclo de aperto monetário menos robusto, o que teoricamente seria ruim para o real.

O juro baixo é um dos elementos citados por analistas como catalisador de maior volatilidade cambial. A volatilidade implícita das opções de dólar/real de três meses --uma medida do grau de incerteza sobre a trajetória da taxa de câmbio-- subia nesta sexta para 18,08%, alta discreta frente à véspera, mas suficiente para manter a medida acima dos 16% do fim de fevereiro.

O real é a segunda moeda mais volátil no mundo emergente, superada apenas pela lira turca.

"O Brasil virou um 'soft trading'. É muito difícil carregar posição no Brasil", disse Roberto Serra, gestor sênior de câmbio da Absolute Investimentos, que segue com posições em carteira apenas marginais no real. "Muito se fala sobre o prêmio de assimetria com os ativos do país, mas isso está aí há tempos e nada acontece", completou.

O dólar foi a uma máxima de 5,6853 reais na sessão. Estrategistas do Société Générale avaliam que o rompimento de uma resistência técnica em 5,70 reais pode abrir caminho para a moeda testar 5,88 reais.

"Um movimento além de 5,88 reais será essencial para denotar a próxima perna da tendência de alta para projeções de 5,97 reais/6,00 reais", disseram em nota.

Na semana, o dólar ainda acumulou queda de 0,69%. A cotação sobe 0,79% em abril, elevando os ganhos no ano para 9,31%.

Em 2021, a moeda brasileira tem o terceiro pior desempenho global, com peso argentino e lira turca nas duas primeiras posições.