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Dólar salta e real tem pior desempenho no mundo com exterior e novos ruídos locais

·2 minuto de leitura
Notas de reais e dólares

Por José de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar começou a semana sob forte pressão, em alta de mais de 1,4% e fechando perto das máximas do dia, com investidores em busca da segurança da moeda norte-americana diante de novo dia de forte pessimismo nos mercados externos e com o Brasil ainda inspirando cautela do lado fiscal.

Na B3, o dólar futuro, cujos negócios vão até as 18h (de Brasília), acelerou a alta para mais de 5,48 reais, após a Procuradoria-Geral da República (PGR) informar que vai abrir apuração preliminar para investigar offshores ligadas ao ministro da Economia, Paulo Guedes, e ao presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, ambos citados no caso Pandora Papers.

As manchetes podem ser lidas por investidores como potenciais dificultadores para a evolução no Congresso das pautas econômicas do governo.

O mercado demonstrou, ainda, mais medo de descumprimento de regras que seguram as contas públicas depois de a Comissão Mista do Orçamento (CMO) pautar para terça-feira análise de projeto de lei de crédito suplementar de pouco mais de 164 bilhões de reais, num momento em que paira constantemente entre investidores temor de aumento desenfreado de gastos conforme o ano eleitoral de 2022 se aproxima.

Falas de Campos Neto nesta segunda foram na linha de apontar que o problema fiscal segue como uma preocupação latente. Mas o chefe do BC afirmou também que a depreciação do real neste ano está na média e até "um pouquinho melhor" na comparação com outros países, o que esfriou expectativas de que o BC possa intervir mais pesado no câmbio à medida que o dólar se aproxima de 5,50 reais.

Mas, segundo analistas, foi o dia negativo no exterior que determinou a alta do dólar por aqui. "A falta de transparência no mercado imobiliário chinês e a urgência para os EUA elevarem o teto da dívida estão no foco dos mercados", disse Victor Lima, analista da Toro Investimentos, citando ainda o rali nas taxas dos títulos do governo dos EUA, que elevam a atratividade do dólar como ativo de investimento.

O dólar à vista subiu 1,43% nesta segunda-feira, a 5,4465 reais, depois de variar entre 5,374 reais (+0,08%) e 5,4573 reais (+1,63%).

Com isso, a cotação devolveu quase toda a baixa de 1,47% da sexta-feira. No dia anterior, quinta-feira, o dólar havia fechado em 5,4496 reais, valor mais alto desde 27 de abril (5,4625 reais).

O real amargou o pior desempenho global nesta sessão.

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