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Dólar salta ante real com cautela externa, rodovias e transição

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 24.01.2019 - Still de mão segurando cédulas de dólar. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 24.01.2019 - Still de mão segurando cédulas de dólar. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar avançava acentuadamente frente ao real nos primeiros negócios desta quinta-feira (3), acompanhando a alta da moeda norte-americana no exterior, enquanto investidores continuavam atentos à situação das rodovias brasileiras depois que o presidente Jair Bolsonaro (PL) pediu na véspera que os protestos de seus apoiadores não bloqueiem a circulação nas estradas, de olho ainda no clima do processo de transição de poder após a eleição.

Às 9h05 (de Brasília), o dólar à vista avançava 1,32%, a R$ 5,1860 na venda.

Na B3, às 9h05 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,92%, a R$ 5,2165.

Na quarta-feira (2), o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) elevou a sua taxa de juros pela sexta vez em 2022, sendo que este é o quarto aumento seguido de 0,75 ponto percentual. Agora, a taxa de referência dos Estados Unidos avança para um patamar entre 3,75% e 4% ao ano.

Jerome Powell, presidente do Fed, disse em entrevista à imprensa após a divulgação da taxa nesta quarta que "será apropriado reduzir o ritmo do aumento [dos juros]" em breve, mas destacou que o mercado de trabalho aquecido e, principalmente, a persistente alta da inflação obriga a autoridade a "manter a política restritiva [juros elevados] por algum tempo", comentou.

Investidores reagiram mal às declarações de Powell e o mercado de ações dos Estados Unidos fechou o dia em forte queda.

O indicador parâmetro S&P 500 caiu 2,5%. No segmento focado em empresas de tecnologia e mais dependentes do crédito barato para crescer, representado pelo índice Nasdaq, o tombo foi de 3,36%. Houve ainda queda de 1,55% do Dow Jones.

O ritmo de aceleração dos juros é o mais rápido no país em mais de quatro décadas e, além disso, antes de junho deste ano, a última vez que a taxa tinha subido em 0,75 ponto foi em 1994.

Essa sequência de aumentos, considerada muito agressiva para o padrão americano, acontece devido à necessidade de frear a maior inflação no país em mais de 40 anos.

O índice de preços ao consumidor americano acumula alta de 8,2% em 12 meses até setembro, depois de ter subido 8,3% em agosto e ter atingido um pico de 9,1% em junho, que foi o maior avanço do custo de vida desde novembro de 1981. São patamares muito superiores à meta de 2% para a inflação anual do país para 2022.