Mercado fechado
  • BOVESPA

    110.036,79
    +2.372,79 (+2,20%)
     
  • MERVAL

    38.390,84
    +233,89 (+0,61%)
     
  • MXX

    44.626,80
    -475,80 (-1,05%)
     
  • PETROLEO CRU

    79,74
    -1,49 (-1,83%)
     
  • OURO

    1.668,30
    -0,30 (-0,02%)
     
  • BTC-USD

    19.282,55
    -26,46 (-0,14%)
     
  • CMC Crypto 200

    443,49
    +0,06 (+0,01%)
     
  • S&P500

    3.585,62
    -54,85 (-1,51%)
     
  • DOW JONES

    28.725,51
    -500,09 (-1,71%)
     
  • FTSE

    6.893,81
    +12,22 (+0,18%)
     
  • HANG SENG

    17.222,83
    +56,93 (+0,33%)
     
  • NIKKEI

    25.937,21
    -484,89 (-1,84%)
     
  • NASDAQ

    11.058,25
    -170,00 (-1,54%)
     
  • BATS 1000 Index

    0,0000
    0,0000 (0,00%)
     
  • EURO/R$

    5,3079
    +0,0099 (+0,19%)
     

Dólar tem maior alta em 4 semanas e corrige acima de R$5,10 com impulso externo

Por José de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar deu um salto nesta terça-feira e fechou na maior alta diária em quatro semanas, com o real liderando as perdas entre pares globais, conforme o mau humor externo ditou uma realização de lucros no mercado local de câmbio após o dólar flertar mais cedo com o piso psicológico de 5 reais.

A sessão foi particularmente influenciada pela tradicional "briga" entre comprados e vendidos em torno da taxa Ptax de fim de mês, que será definida na quarta-feira, movimento que costuma adicionar volatilidade aos negócios.

O dólar à vista subiu 1,57%, a 5,112 reais, maior valorização percentual diária desde 2 de agosto (1,93%). Voltou, assim, a operar acima de sua média móvel de 100 dias, abaixo da qual havia fechado na véspera pela primeira vez desde junho.

Na mínima do dia, a cotação marcou 5,008 reais --queda de 0,50% no dia e menor patamar desde meados de junho--, antes de recobrar forças e bater um pico de 5,122 reais, alta de 1,77%.

O real liderou o bonde das moedas em depreciação nesta terça-feira, numa lista encabeçada sobretudo por divisas correlacionadas às commodities e que nos últimos dias haviam tido performance superior ao mercado geral na esteira do rali das matérias-primas.

Mas nesta sessão o petróleo, por exemplo, desabou mais de 5% nos mercados internacionais, e o minério de ferro --um dos principais produtos da pauta de exportação brasileira-- caiu abaixo de 100 dólares a tonelada nas bolsas de Dalian e Cingapura, em meio a temores relacionados à Covid-19.

"Hoje é uma reavaliação do movimento exuberante que a gente (o real) teve nos últimos pregões. Faz sentido, acho que é salutar", disse Fábio Guarda, sócio-gestor da Galapagos Capital, segundo o qual a defesa por investidores de uma série de estruturas no mercado de opções relacionadas à Ptax de fim de mês impediu que o dólar rompesse o piso psicológico dos 5 reais.

O real é tido como uma moeda de "beta" alto --ou seja, tende a variar mais em comparação a uma referência--, o que em parte explica os movimentos mais dilatados da taxa de câmbio doméstica.

Mais recentemente, contudo, houve um descolamento da moeda brasileira em relação a seus rivais, o que fez surgir uma "boca de jacaré" quando em comparação ao índice MSCI para moedas emergentes, por exemplo.

Entre 17 de agosto e a véspera, enquanto o índice caiu 1,22%, a taxa de câmbio brasileira dólar/real valorizou 2,69%.

Para Guarda, apesar do movimento negativo desta terça, a conjuntura é favorável ao real. Ele cita perspectiva de mais demanda por produtos agrícolas exportados pelo Brasil, elevado diferencial de juros e sinais de inflação cadente no país.

"Em nem todo concurso de feiura o Brasil se destaca", disse o gestor, pontuando ainda que, a despeito de preocupações com mais despesas públicas a partir de 2023, o mercado entende que não haverá ruptura da política macrofiscal e que algum sinal de controle de gastos poderá ser emitido por qualquer um dos dois principais postulantes ao Palácio do Planalto que se sair vitorioso nas eleições.

A queda recente do dólar no Brasil levou estrategistas do Morgan Stanley a considerar que a moeda norte-americana entrou em "bear market" (mercado em baixa) também numa abordagem estratégica semanal --um "bear market" diário já era considerado. Mas em termos mensais os profissionais seguem vendo "bull market" (mercado em alta) para o dólar.

Guarda, da Galapagos Capital, se diz comprador de real nos patamares atuais.

"O preço mais juro, dado o 'carry' (retorno)... seria perto de 4,5 reais. É muito factível a gente operar nesses patamares", disse, não descartando, inclusive, um "overshooting" do real --ou seja, uma valorização mais forte da moeda-- para a fronteira de 4 reais por dólar, 3,90 por dólar.