Mercado fechará em 5 h 19 min

Dólar salta 1,41% e real tem pior desempenho entre emergentes

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 09.05.2015 - Movimentação na Bolsa de Valores, A B3, em SP. (Foto: Diego Padgurschi/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 09.05.2015 - Movimentação na Bolsa de Valores, A B3, em SP. (Foto: Diego Padgurschi/Folhapress)

SÃO PAULO, SP ( FOLHAPRESS) - A Bolsa de Valores e, principalmente, a moeda brasileira caminharam na contramão do mercado nesta quinta-feira (11), dia em que investidores decidiram buscar oportunidades em outros mercados emergentes, considerados mais baratos.

O dólar fechou em forte alta de 1,41%, a R$ 5,16. A queda ocorre um dia após a taxa de câmbio ter recuado ao menor patamar desde a primeira quinzena de junho.

Já o índice Ibovespa, referência para as ações negociadas na Bolsa, cedeu 0,47%, a 109.717 pontos. A baixa do mercado acionário doméstico ocorre após sete altas consecutivas.

Para especialistas do mercado financeiro, o desempenho negativo das finanças domésticas não tem relação significativa com o risco de maior polarização do cenário político devido a uma possível reação de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) aos atos pró-democracia desta quinta.

Após um período de ganhos do real impulsionados pela maior taxa de juro real do planeta e de recuperação da Bolsa, investidores decidiram se desfazer de ativos valorizados. Houve o que o mercado chama de realização de lucros.

"A queda de hoje [a do real e a do Ibovespa] é um movimento normal, movido muito mais por realização de lucros", disse Fabrício Gonçalvez, presidente da Box Asset Management.

Em uma classificação diária que compara cerca de duas dezenas de moedas de países emergentes, o real teve disparado o pior desempenho frente ao dólar. Caiu 1,21%. A lira turca, penúltima colocada, recuou 0,44%. O rublo russo foi a divisa mais valorizada. Subiu 1,23%, segundo dados da Bloomberg.

Investidores se sentiram mais encorajados a buscar posições mais arriscadas e com maior potencial de lucro após a desaceleração da inflação nos Estados Unidos ter sinalizado que o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) poderá reduzir o ritmo de elevação da sua taxa de juros.

Para Enrico Cozzolino, sócio e chefe de análise da Levante Investimentos, após a divulgação da inflação americana de julho e a decisão do Banco Central do Brasil de estabilizar a taxa de juros, "os riscos estão mais conhecidos".

Com a Bolsa chegando aos 110 mil pontos, esses investidores avaliam que o preço dos ativos chegou a um patamar coerente com os fundamentos do mercado brasileiro. "Os mesmos motivos que impulsionaram a alta também geram a cautela", comentou.

Na quarta-feira (10), a taxa de câmbio no Brasil recuou e o mercado de ações tomou fôlego com a divulgação da taxa de inflação nos Estados Unidos menor do que a esperada.

O índice de preços ao consumidor americano permaneceu inalterado em julho, após avançar 1,3% em junho, segundo o Departamento do Trabalho dos Estados Unidos. Projeções da agência Reuters indicavam alta de 0,2% do índice no mês passado. O acumulado em 12 meses caiu de 9,1%, em junho, para 8,5%, no mês passado.

A queda mensal de 7,7% da gasolina está entre os fatores com maior peso no resultado de julho.

O novo dado, que confirma a desaceleração da inflação, fez o mercado voltar a esperar que o Fed desaperte o passo na sua política de elevação de juros. Analistas já falam em uma alta de 0,50 ponto percentual no próximo mês.

Antes, parte do mercado considerava que o Fed poderia repetir em setembro o agressivo aumento de 0,75 ponto percentual da sua taxa de juros, assim como fez nas duas últimas reuniões de política monetária.

Juros mais baixos nos Estados Unidos tendem a forçar investidores a abandonar a segurança dos títulos do Tesouro americano para buscar ganhos em mercados mais arriscados, o que inclui a renda fixa e as bolsas de países de economia emergente.